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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

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10.12.19

54 - Modelismo Naval 7.30 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 6"


marearte

ib-04.1.jpg

 

Caros amigos

(continuação)

 

O Aparelho Fixo e o de Laborar

Nos navios existem diferentes cabos que servem para manter os mastros fixos nas carlingas, manobrar as velas e para içar ou arriar outras partes móveis dos mesmos.

Com base nos desenhos 9 e 9.1 abaixo, que representam o aparelho fixo e o de manobra da barca Sagres II (o atual Navio Escola da Marinha de Guerra Portuguesa) e tendo em atenção os diferentes garrunchos existentes nas velas (que foram identificados nos verbetes dos desenhos 7 e 8), nestes verbetes caracterizam-se os diferentes cabos do aparelho fixo e do de laborar quanto à sua localização e função.

Desenho 9

O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros -1

As fotos do “Sagres II” que figuram neste post, foram “pedidas emprestadas” ao site “Jans-sajt.se”. Os meus agradecimentos.

Desenho 9.jpg

 

Aparelho Fixo

 

O aparelho fixo engloba todos os cabos no navio que estão fixos. Só existem dois tipos: os Estais e os Ovéns (onde estão incluídos os Brandais)

 

Foto 1: Estais (stays)

1-Estais (1).jpg

 

Os estais são cabos (a vermelho na foto),

(Cabo – conjunto torcido de fibras vegetais, sintéticas ou de fios de arame, formando uma corda que serve para prender, suspender, conter, rebocar, alar, caçar, arriar, etc., um objeto, uma peça do aparelho, outro cabo, aguentando esforços relativamente severos)

normalmente reforçados,

(Cabo alcatroado – cabo tratado com um banho de alcatrão para melhor resistir à humidade; Cabo armado – cabo de arame com madres de cabo de linho-cânhamo alcatroado; Cabo calabroteado – cabo formado por três ou mais cabos de massa torcidos)

com uma bitola relativamente elevada,

(Bitola – medida da grossura dos cabos que, nos cabos de arame, é usual a referência ser o diâmetro do cabo enquanto que nos cabos de fibra, salvo menção em contrário, a bitola refere-se ao perímetro da circunferência retificada do cabo. Em qualquer dos casos as medidas podem ser em milímetros ou em polegadas),

que se encontram encapelados nos calceses dos navios  de vela e que servem para sustentar os mastros para a vante tomando o nome do mastro ou da vela que sustentam.

As velas latinas de proa e de entre-mastros são envergadas em alguns destes estais.

Chamam-se:

Estais reais – os do traquete, do grande e da mezena (também chamado mastro da gata);

Estais de gávea – os do velacho, gávea e gata;

Estais de joanete – do joanete de proa, joanete grande e sobregata;

Estais de galope ou de sobre – do sobre de proa, sobre do grande e sobre gatinha;

Estais de proa – da giba, e da bujarrona.

Um outro tipo de estais são os que, do lado inferior do gurupés, o sustentam para a ré (ao contrário dos anteriores), fazendo fixe na proa do navio através de patarrazes. Contribuiem para o equilíbrio das diversas tensões que se exercem sobre o aparelho: 

Estais do gurupés – do galope do pau de giba e do pau de bujarrona.

 

Foto 2: Ovéns (shrouds) e Brandais (backstays)

2-Ovéns e Brandais (1).jpg

 

Os ovéns e os brandais são cabos que aguentam os mastros para os bordos dos navios.

  • Os ovéns formam a enxárcia dos mastros reais, ou dos mastaréus de gávea e do joanete (a vermelho junto aos mastros, formando um desenho triangular).

As enxárcias dos mastros reais e dos mastaréus de gávea, têm “enfrechates” que servem para dar consistência ao conjunto mas também para a tripulação poder subir aos mastros, e as dos joanetes não têm (existem exceções).

  • Os brandais fixos fazem parte do aparelho fixo do navio e tomam o nome do mastro ou mastaréu onde trabalham. Ao contrário destes brandais existem os brandais volantes que entram na categoria de aparelho de manobra, que têm ou não têm encapeladura (em caso de necessidade pode ser lançado um cabo extra que não se encontra previamente encapelado não fazendo parte do aparelho fixo), servindo para reforçar a sustentação do mastro e podem ser tesados a partir do convés, de acordo com o vento, tesando-se o brandal de barlavento (a vermelho junto aos mastros, formando um desenho de três linhas paralelas)

 

Aparelho de laborar (ou de manobra)

O aparelho de laborar ou de manobra, envolve todos os cabos e talhas usados para mover as velas nas várias manobras.

Embora existam muitos cabos montados nos grandes veleiros, necessários para o seu governo, os seus tipos por função, não são muitos. Encontram-se Adriças (Yard Halyards; Gaff Halyards; Staysail Halyards), Carregadeiras (Downhauls), Amantilhos (Topping Lifts), Braços (Braces), Escotas (Sheets), Amuras (Tacks), Estingues (Clewlines), Brióis (Buntlines), Apagas (Leechlines) e, já em desuso, Bolinas (Bowlines). Cada vela tem um número definido destes cabos e, no caso das velas redondas, eles são aos pares, um para bombordo e outro para estibordo. Quanto mais velas, mais cabos existem que têm de ser aduchados ordenadamente nas escoteiras e nas mesas de malaguetas, no convés.

É apenas confuso à primeira vista ...

As funções destes cabos são as seguintes:

 

Foto 3: Adriças das Vergas (Yard Halyards) e Adriças da Carangueja (Gaff Halyards)

3-Adriças Vergas e Adriças Carangueja (1).jpg

As adriças ou driças (Qualquer cabo singelo ou passado em aparelho de força, que serve para içar vela, verga, bandeira ou sinal. Toma o nome da coisa que iça) das vergas das velas redondas são usadas para içar ou arriar as vergas das velas superiores, a fim abaixar o ponto de gravidade, especialmente quando o navio enfrenta uma tempestade com vento forte. Com exceção das vergas inferiores dos antigos navios que usavam duas adriças, cada verga tem apenas uma adriça. Nos tempos antigos, todas as vergas das velas redondas eram içadas e arriadas desta forma. Aliás, todas as vergas tinham também um par de amantilhos (por BB e EB) para manter o equilíbrio das mesmas.

As vergas inferiores (a azul) são mais pesadas do que as vergas superiores (a vermelho) devido às suas dimensões. Assim, as suas adriças eram movidas por pesados blocos (talhas triplas - gin, triple tackle).

Algumas vergas superiores tinham uma talha dupla. Em navios antigos, as vergas inferiores (papa figos) também eram içadas e arriadas pelas tripas dos papa figos, (jeers) adriças muito grossas e pesadas que eram puxadas por um cabrestante. Nos grandes navios de primeira linha da marinha de guerra, eram usadas duas destas adriças para içar e arriar as vergas do traquete redondo e da vela grande.

As adriças das vergas superiores – adriça da gávea, adriça do joanete e adriça do sobrejoanete (topsail  halyard, topgallant sail halyard and royal halyard) são conduzidas até ao convés em paralelo aos brandais, e são aduchadas na mesa de malaguetas do mastro respetivo a BB e a EB. Por razões de simetria (para equalizar a distribuição por ambas as mesas de malaguetas), as adriças mais pesadas começam com o chicote a passar de um lado para cima, descendo pelo outro lado, onde gurnem numa peça de poleame mais ou menos pesada. Adriças mais leves levam diretamente da verga para a mesa de malaguetas do mesmo bordo.

Uma adriça de uma verga redonda é o equipamento do navio que aguenta maior força de tração. Suporta e movimenta toneladas de carga composta por:

  • A verga – Uma verga da vela grande tem cerca de 200 kg e o conjunto com a vela grande envergada, pode pesar até 6 toneladas!
  • A vela anexada – As velas de tempestade, de lona grossa, muito pesadas mesmo quando secas, podem igualmente pesar 1 tonelada.
  • Os marinheiros – Que fazem parte da faina pendurados no alto e de pé nos estribos da verga. São necessários mais de 10 homens para rizar, abafar ou ferrar uma vela redonda inferior.
  • O vento – Que tende a empurrar a vela para fora do mastro exercendo uma grande tração.

Nos grandes veleiros de transporte de carga (desde 1850), as velas das vergas inferiores, que usavam manobras de diminuição do pano deixaram de ter bolinas e de ser içadas e arriadas. As vergas foram fixadas com uma cremalheira (rack) ao mastro, permitindo-lhes apenas balançar horizontalmente com os braços. Ao mesmo tempo, deixaram de ter adriças.

Nos veleiros da classe "Mir", o chamado Choren-Rigging eliminou todas as adriças das vergas. Todas as vergas estão colocadas em aparelhos fixos aos mastros e são de material resistente, mas mais leve.

Sendo o navio “Sagres” uma barca, o mastro da mezena é de aparelho latino e, além da vela de ré dupla está aparelhado com outra vela latina chamada de gafetope (gaff topsail). Assim, neste mastro existem dois tipos de adriças: a adriça da pena (peak halyard) e a adriça da boca (throat halyard). Nas barcas modernas, as velas de gafetope da mezena estão penduradas em engrenagens fixas. Mas em escunas, as velas de gafetope ainda são içadas e arriadas com adriças.

  

Foto 4: Adriças das Velas de Estai (Staysail Halyards) e Carregadeiras de Arriar (Downhauls)

 4-Adriças Velas Estai e Carregadeiras de Arriar (1).jpg

Uma adriça das velas de estai (a amarelo) iça estas velas ao longo do estai. Esta adriça carrega o peso da vela e da força do vento.

A contraparte da adriça da vela de estai é a carregadeira de arriar (Cada um dos cabos que carregam as velas latinas e os cutelos. Tomam o nome do lugar da vela onde trabalham; carregarAbafar panos por meio de cabos que nos latinos se chamam carregadeiras e nos panos redondos, brióis, sergideiras, apagas e estingues) – a azul. A vela de estai pode ser arriada somente pelo seu próprio peso quando se afrouxa a adriça mas, em situação de ventos fortes, é necessária a carregadeira de arriar para se conseguir dominar a vela e mantê-la dentro do navio.

As escotas das velas de estai estão representadas a verde.

 

Foto 5: Amantilhos (Topping Lifts)

5-Amantilhos (1).jpg

Os amantilhos (Cabo, teque, talha ou corrente encapelado no lais de uma lança, pau de carga, pau de surriola, pau de spinnaker, carangueja, verga ou retranca, aguentando-o e servindo para movimentá-lo no sentido vertical. Toma o nome da peça que sustenta), equilibram a verga verticalmente.

As suas funções são:

  • Permitir que o vento "encha" a vela de uma forma igual, aproveitando ao máximo a força do vento;
  • Evitar que a verga fique desequilibrada com o peso dos marinheiros que se encontram na manobra de rizar, abafar ou ferrar pano;
  • Adaptar o equilíbrio quando o navio balança com os ventos.

Os amantilhos estão sempre aos pares, um por cada bordo. Ligam-se aos lais das vergas e são levados ao longo do braço da verga, através de um bloco preso ao mastro até ao convés, onde aducham na escoteira do mastro.

Os amantilhos das vergas superiores dos modernos navios escola estão fixos nas vergas que são içadas e arriadas. Quando arriadas, ficam “penduradas” nas cremalheiras. Quando içadas e com velas envergadas, os amantilhos ficam soltos por ante a vante das velas.

 

(continua)

 

Um abraço e…

Bons Ventos

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