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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

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Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

21.11.19

52 - Modelismo Naval 7.28 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 4"


marearte

 

 

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Caros amigos

 (Continuação)

 

Desenho e Fabrico das Velas

O desenho das Velas

O desenho e o fabrico das velas eram (e são) da maior importância e, se mal executados, poderiam prejudicar bastante o desempenho de um navio bem projetado. As rugas junto à tralha, costuras ou forros, eram geralmente um sinal de mão-de-obra deficiente, com tensões desiguais entre o tecido da vela e as suas várias costuras e cabos da tralha.

Os britânicos usavam lona de linho às vezes com uma pequena quantidade de cânhamo, de uma cor castanha acinzentada ou pálida que, embora provavelmente se tornasse debotada com o tempo, nunca tinha a mesma brancura nevada do algodão matéria-prima esta que era a preferencialmente usada nas velas dos navios dos USA.

Séculos antes, as velas mais baixas dos antigos galeões eram feitas de um material pesado e grosso conhecido como “kersey” (o chamado “burel”, tecido grosseiro de cor castanha manufaturado na Idade Média com lã cardada), e em algumas referências contemporâneas essas velas são chamadas de “kerses”, o que pode ser a origem da palavra inglesa course, com o significado de vela de “papa-figos”. Os navios geralmente carregavam um conjunto sobressalente de velas, feito com lona mais velha, bem remendada, que era usada em regiões com bom tempo, mudando para o conjunto de melhor lona com tempo de borrasca. O conjunto de velas de um navio toma o nome, em português, de “andaina” no geral e de “andaina envergada” o conjunto das velas em uso.

Os panos de vela (1) eram montados costurando-os sobrepostos com o melhor método, conhecido como costura dupla e redonda. O perímetro da vela era dobrado (rebocado) cerca de 4” a 6” para as velas inferiores, 3” a 5” para velas superiores e 3” para velas pequenas, e nessa bainha era costurado um robusto cabo, a “tralha” que era sempre cosido, nas velas redondas ante a ré das mesmas junto à borda da bainha mas não no extremo da borda.

Para as velas terem uma maior resistência, eram costurados panos extra de lona (forros ou bandas) em locais das velas mais sujeitos a elevadas tensões a saber, na generalidade:

  • Sobre as bordas laterais (testas);
  • Bandas dobradas horizontalmente nas linhas de pontos dos “rizes” (banda(s) de rizes);
  • Uma forra mais estreita na parte de baixo da vela na zona da “esteira” acompanhando a concavidade do “aluamento” (2);
  • Uma outra forra no “gurutil”, no alto da vela e;
  • A uma pequena distância da esteira (mais ou menos correspondendo a um terço da altura da vela), uma outra banda horizontal donde saem bandas verticais em número correspondente aos “brióis” da vela existentes na mesma.

Todos estes reforços são aplicados ante a vante da vela exceto o do “gurutil” que é aplicado ante a ré da mesma.

As costuras tinham em média 1,5” de largura, mas entre as velas da frente e a da ré variava um pouco. As costuras da “vela de ré” (vela latina quadrangular) eram mais largas na esteira, digamos 3” a 3,5”, ocasionalmente 5”, cerca de 1,5” no gurutil e na zona média da vela de 2,75”.

Cada costura diminuía gradualmente para essas larguras, o que ajudou a compor o formato dos lados não paralelos de trapézio e deu uma ligeira curva convexa de aluamento na esteira e uma leve barriga no meio. As bujarronas grandes – vela latina triangular de proa – tinham costuras de cerca de 3” na esteira e 2,5” ao longo do estai. Alguns fabricantes de velas, seguindo uma antiga tradição, também deram barriga às velas redondas, mas as velas mais eficientes foram feitas com um formato o mais achatado possível.

No início do século XIX, os garrunchos (3) eram fabricados com pequenos cabos mas mais tarde, foram substituídos por anéis metálicos.

Enquanto foram usados garrunchos de cabo para os brióis ao longo da esteira da vela, a vela tinha apenas uma forra, mas quando os brióis passaram a ter orifícios com anéis de metal na esteira, foi sobreposta mais uma forra.

A posição dos pontos de rizes é de interesse. Desde o século XVIII que os orifícios os pontos dos rizes eram perfurados no tecido entre as costuras, às vezes em pares e às vezes alternando 2 e 1 por pano, como também o eram os orifícios para amarrar a vela ao “vergueiro do pano”. Muitas vezes, era costurada uma outra linha de pontos no espaço entre as duas costuras duplas dos panos da vela, como reforço, especialmente em embarcações da marinha de guerra, e a lona dobrada da banda de rizes era provavelmente considerada suficientemente forte para aguentar os pontos dobrados das costuras.

Pinturas contemporâneas e algumas fotografias ao longo da segunda metade do século mostram os pontos de rizes como estando na linha da costura mais frequentemente do que não e algumas fotografias de veleiros no final do século mostram claramente pontos de rizes espaçados entre costura e tecido, alternadamente.

As velas de ré parecem, consistentemente ao longo do século, ter os pontos de rizes nas linhas de costura, possivelmente porque essas costuras eram mais largas que os orifícios costurados, ajudando a mantê-las mais apertadas. No entanto, era uma queixa comum que as costuras largas retinham água e causavam podridão.

O espaçamento dos orifícios para os garrunchos de estai nas velas era de 36” para as leves, como as gibas (vela latina triangular de proa), e para as maiores, de 27”, que podiam ou não coincidido com as costuras, dependendo do ângulo das costuras em relação aa gurutil.

O aluamento côncavo numa vela redonda dependia do ângulo ou da altura da estai imediatamente abaixo dela, que era necessário ter em conta. Os braços das vergas de um mastro ante a vante da vela, por vezes passavam por baixo da vela, prendendo-se ao mastro ou à encapeladura do estai, pormenor que também tinha de ser levado em conta para calcular o aluamento necessário.

O aluamento da esteira da vela de cima das velas duplas era mínimo e, em muitos casos era reto e funcionava ligada à verga da vela de baixo. Os “clippers” britânicos tendiam a manter as testas dos papa-figos quase na vertical e as testas das velas acima destas com um bom afunilamento até às velas de sobrinho ou até às velas de sobrejoanete.

Os garrunchos das velas redondas e das velas latinas de proa e de entre mastros dos navios mercantes no início do século foram feitas com argolas de cabo separadas e costuradas nos cantos da tralha das velas (alguns veleiros faziam o garruncho diretamente no próprio cabo da tralha). Esses garrunchos partiam-se frequentemente e foram usados “sapatilhos” encaixados neles, para maior resistência. Por volta de meados do século começaram a ser usados garrunchos de metal, em forma de anel ou “colchetes de punho” que duravam mais do que as velas. Os garrunchos da bolina, (Cabo que se fixa no amante e poa das testas dos papa-figos, gáveas e joanetes para, nos ventos de través para a proa, chamar para a vante o mais possível a testa de barlavento, para que não fique branda e o vento não tenha ação por ante a vante da vela. A bolina de sotavento vai folgada. Cada vela redonda, exceto o sobre, tem duas bolinas) que antes eram montadas em todas as velas redondas dos navios, sobreviveram em alguns ”clippers” até o final da era. As amuras tinham a útil função de segurar bem a testa da vela do lado do vento de forma a provocar uma ligeira curva para capturar o vento no seio da mesma, pois sem elas o vento, nos papa-figos e nas velas superiores, puxava as testas para a uma linha vertical direita que deixava passar o vento e ter uma ação oposta na vante da vela.

A forma das “velas auxiliares” mais baixas (varredouras) dependia em grande parte da largura dos papa-figos que, se fossem muito largos, necessitariam de uma varredoura mais estreita. Uma pau “pau da varredoura) projeta esta vela auxiliar fora de borda e encontra-se montado do lado do navio num “mangual e cachimbo”, que o articula com o bojo das bochechas das amuras. Este pau poderia ter até cerca de 15 metros de comprimento e 12” de diâmetro, mas paus mais curtos eram mais usuais. A existência de um pau de varredoura poderia ser eliminada tornando esta vela auxiliar triangular adaptada ao lado do navio, como foi feito no caso do “Cutty Sark”, embora muitas pinturas modernas deste navio mostrem, erroneamente, uma lança com uma vela retangular.

Podiam ser largadas velas auxiliares de cada lado do mastro do Traquete e do Grande nos papa-figos, gáveas, joanetes e, esporadicamente nos sobrejoanetes bem como, muito raramente, na vela da gata da Mezena. As velas auxiliares acima das varredouras tomavam os nomes, em português, de “cutelos” para as gáveas e joanetes e de “cutelinhos” para as que se encontravam acima destas, quando as havia. Em inglês todas estas velas auxiliares são denominadas da mesma forma – studdingsails ou stunsails.

Com o vento de popa, as velas auxiliares, quando necessário, eram colocadas em ambos os lados ante a ré das velas adjacentes, mas com as vergas braceadas, as velas auxiliares no lado do sotavento (lado oposto ao de onde vem o vento-barlavento), eram recolhidas. Usualmente, estas velas, quando usadas com frequência, ficavam estivadas verticalmente, amarradas na parte interior das enxárcias superiores; caso contrário, eram guardadas nos patins de suporte dos salva-vidas ou no teto da casa do convés. Os paus das varredouras eram estivados ao longo da amurada da proa de cada bordo do navio, apoiados num encaixe no convés a cerca de 1/3 do seu comprimento a partir do lais.

Outro tipo de pau parecido com o pau da varredoura aparece às vezes mencionado em relação a alguns “clippers” do chá com o nome de “poleiro” (passaree boom) (4). Tratava-se de um pau curto fixado com mangual e cachimbo em cada um dos lados dos mastros do traquete e do grande, a BB e a EB, a uma altura suficiente para passar por cima da borda falsa. Cada um destes paus existia em navios de guerra e o seu comprimento pouco excedia o da verga dos papa-figos. Com o vento de popa e as velas do papa-figos envergadas, os punhos das escotas eram puxados para fora das bordas falsas e retesados com cabos próprios diferentes das escotas que supõe-se se chamavam “pássaros” (passaree?) (4) tornando a vela achatada, quase plana. Sem estes paus, os punhos das escotas seriam mantidos próximos aos baluartes, com a vela formando um ventre arredondado, como era o caso das velas do traquete e do grande. Estes paus podiam ser desmontados dos seus cachimbos e ser guardados no convés na previsão do seu uso continuado, ou removidos completamente noutras situações.

 

(1) – A propósito de panos de vela e relacionado com elas, embora neste glossário se trate de grandes veleiros que sulcaram os mares do mundo entre os séculos XVIII e princípios do século XX, ficando de fora tudo o que diz respeito aos navios portugueses da “Descoberta”, fica aqui uma informação complementar, importante para os modelistas que se dedicam a essa época.

As velas dos descobrimentos foram manufaturadas de uma forma similar à que aqui se apresenta, tendo como matéria-prima básica o “pano de treu”, lona de linho que era manufaturada principalmente em Vila do Conde (mas também em Azurara, Póvoa, Porto, Braga, Esposende, Touguinha e S. Simão da Junqueira) que, na falta dela, era por vezes substituída por lona “vitres” ou “pondavids”, (embora sem fonte confirmada, eram lonas provenientes da região de Vitré, na Bretanha, França).

O linho para a confeção do “pano de treu” era maioritariamente importado. Em 1527, 209 importadores (180 de Vila do Conde, 86,1% do total) importaram um total de 29.364 arráteis (13,48 T) e em 1532, 117 importadores (103 de Vila do Conde, 86% do total) importaram um total de 10.708 arráteis (4,915T).

“Em 1377, um diploma de D. Fernando regulamenta, na sequência de uma prevista encomenda de grande quantidade destas lonas para a armação de galés régias, que a sua dimensão se fixe em um palmo e dois dedos de largura segundo a bitola, em ferro, que deveriam fornecer nos respetivos locais de produção”.

Na época, um palmo e dois dedos de largura atingia um valor próximo dos 24-25 Cm.

Os dados constantes nesta nota foram retirados de uma comunicação que se encontra no repositório da Faculdade de Letras do Porto:

“A Tecelagem de Panos de Treu em Entre-Douro-e-Minho no século XVI

Contributos para a definição de um modelo de produção”

Amélia Apolónia

em:

https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/8194/2/5278.pdf 

e

“Rigging the Pepper Wreck. Part 2 – Sails”

Nau Portuguesa “Nossa Senhora dos Mártires”

Filipe Castro

em (pgs: 5 e 6)

https://nautarch.tamu.edu/shiplab/00-pdf/Castro%202009%20-%20PepperWreckSails.pdf

 

(2) – Flecha da curva da esteira formada por algumas velas, de punho a punho ou do punho da escota ao punho da amura.

(3) - Anel feito de cordão de cabo, cosido em tralha de vela ou toldo, ou no punho de uma vela, com ou sem sapatilho, para receber escota, amante de bolina, empunidouro, etc. Os chamados garrunchos de três, empregados nas velas, formam-se com três cordões e os de quatro, usados nos toldos, formam-se com cordões de dois rabichos. Também podem ser colchetes de metal em lugar de garrunchos de cabo.

(4) – O léxico de Inglês define “passaree”, no seu conceito histórico/náutico como: Um cabo, usado nos barcos com velas redondas para esticar, (no sentido de to streatch), a vela do traquete redondo e a vela grande, quando a navegar com vento de popa, colocando (hauling) os punhos das escotas no fim de um pequeno pau de vela auxiliar”.

Esta palavra aparece, com frequência, no século XVII (o seu uso é encontrado nos escritos de Samuel Sturmy (1633-1669) que escreveu sobre os aparelhos de navios) e etimologicamente tem uma origem incerta que tanto pode ser no termo antigo espanhol “passarín” ou no termo italiano regional de Veneza “passerìn”, ambos significando atualmente “pássaro”, em português

Tendo em conta a visão que se possa ter de um pau que se articula no mastro e que se projeta, paralelamente à verga da vela que serve, para fora do navio por cima da borda falsa e que no seu lais (que alcança a perpendicular do lais da verga respetiva) tem prendido um moitão por onde passa um cabo que tem um chicote amarrado no punho da escota e em que o outro pode ser preso na mesa de malaguetas, fazendo fixo e mantendo a esteira e a testa tesadas levando a vela a tomar uma forma retangular e plana então, “passaree boom” poderá ser traduzido por “poleiro”. Há falta de uma melhor, fica aqui a minha leitura do termo.

 

Desenho 7 

As diferentes partes das Velas dos Grandes Veleiros – 1

 

Desenho 7.jpg

 

No desenho acima estão representadas as duas velas de baixo do Mastro Grande a saber: a Vela da Gávea, a superior (inteira, antes de c. 1850) e a Vela Grande, a inferior, ambas ligadas aos vergueiros metálicos das respetivas vergas. O modo de aparelhar estas velas (manufactura e aparelho de laborar) embora se refira às duas velas de baixo do mastro grande dos veleiros, devido á sua complexidade, serve de exemplo para todas as outras velas de papa-figos e de gávea dos outros mastros que são iguais, bem como para as velas acima destas que, não sendo tão complexas e mais fáceis de aparelhar, seguem as mesmas regras que para as inferiores.

É de reter que às velas de papa-figos, na época dos galeões, era acrescentada uma “saia” inferior, “de pôr e tirar”, que aumentava a área velica e era “cozida” ao papa-figos com laços fixos na saia que passavam em ilhoses existentes na esteira do papa-figos e eram enfiados um nos outros pelo seio, longitudinalmente, ao longo de toda a esteira. Este sistema permitia que a saia fosse montada e desmontada sempre que necessário e com uma certa rapidez.

Os grandes veleiros, no que diz respeito às Velas de Gávea não usam tantos cabos de manobra já que cerca de 1850, as gáveas que eram enormes e pesadíssimas, foram “partidas” em duas tornando-as mais leves e consequentemente, mais fáceis de manobrar tendo o aparelho sido simplificado.

No desenho nº 7 que é apresentado neste verbete a visão das velas é por ante a vante das mesmas.

Normalmente as velas são manufaturadas com lonas de diferentes matérias-primas (cânhamo, algodão, linho, etc.) com diferentes números que correspondem ao peso por unidade de área, sendo os números mais baixos reservados para as lonas mais fortes (pesadas) – 00 – e os mais elevados para as lonas mais frágeis (leves) – 12 – (denomina-se lona as número 1 e 2, meia-lona as números 3 e 4 e brim as números 5 e 6).

A lona é fornecida em rolo ou em “panos” com diferentes larguras – dependendo do país e do fabricante – embora se procure uma largura estandardizada. A primeira operação será a do corte dos panos necessários para a confecção de determinado tipo de vela seguindo-se a cosedura dos vários panos sobrepondo-os uns 5 cm e cosendo-os de ambos os lados.

Pondo de parte de imediato outras operações que são necessárias ser executadas, passemos à do reforço de certas partes da vela mais suscetíveis de desgaste rápido pela tração de cabos ou pela fricção no aparelho fixo do navio ou nas madeiras, através da aplicação de “forras” que são constituídas por tiras de lona ao longo dos pontos da vela que podem ter mais desgaste.

Vamos seguir a legenda 1 que identifica por letras, nas duas velas do desenho, estas forras e relembrar os nomes dos quatro lados das velas redondas:

Gurutil – o lado de cima da vela;

Esteira – o lado de baixo da vela

Testas – os lados de BB e de EB da vela.

Temos assim:

a – terceira e quarta “forras de rizes” (1) (reef-bands) com os respetivos “rizes”  (reef-points) preparados para rizar com “vinhateiras” (2) (beckets) “Cabo curto com mão ou alça num dos chicotes e pinha de rosa ou trambelhos (toggles) no outro, dobrado pelo seio (vinhateira fechada) ou com a mão enfiada no vivo do cabo de modo a fazer um pequeno circulo (vinhateira aberta) enfiada no vergueiro do pano e que serve para os que trabalham na verga se agarrem. Fixo em qualquer ponto, serve para pear ou conter cabo ou pano”

a’ – primeira “forra de rizes”;

a’’ – segunda “forra de rizes”;

b – “forra do trainel” (belly-bands),  é uma forra da face de vante das velas redondas situada entre a última forra de rizes e a esteira da vela. Frequentemente, só existe uma única forra deste tipo por vela. Aplica-se em todas as velas redondas do navio exceto nos “sobres”;

c – “forra das testas” (leach linings), é um reforço, quase sempre no mesmo material de que a vela é fabricada, aplicado nas bainhas dos lados das velas redondas e que serve para aumentar a resistência das velas ao atrito contra o aparelho fixo;

d – “forra da esteira” (foot linings/ band), é também um reforço, neste caso da parte de baixo das velas, pela mesma razão de prevenção contra o atrito no uso das mesmas e é aplicada na face da vante das velas;

e –“forra do gurutil” (top linnings), com a mesma finalidade, esta fora é aplicada na face da ré da vela e tem um grande número de ilhoses para os “envergues” (Cada uma das gaxetas ou dos cabos fixos nos ilhoses do gurutil da vela para amarrá-la à verga ou ao vergueiro);

f – “forra do mastro” (mast lining/mast cloth), com a mesma finalidade de proteção da vela do atrito causado pela roçar da vela no mastro, uma forra vertical no meio da vela e aplicada na face da ré das velas;

g – “forra dos brióis” (buntline cloth),

h – “forra da talha dos rizes” (reef-takle pieces on bands)

t – “forra da “tralha”(3) do gurutil e dos ilhoses dos envergues do gurutil” (head tabling and head holes),  reforça a resistência dos ilhoses (zona que sofre bastante tração por efeito dos ventos) através dos quais  os envergues são passados.

(1) As forras de rizes, atualmente, são numeradas a partir da esteira da vela no sentido da verga da mesma. Antes de c. 1850 eram numeradas em sentido contrário, a partir da verga para a esteira.

(2) Neste caso, as “vinhateiras” tomam o nome de “rizes” que são “Pedaços de cabos finos passados nos ilhoses das forras de rizes e que servem para amarrar contra a verga o bolso que se forma ao rizar um pano”. Também se pode rizar com rizadura de “trambelhos” (toggles) que é um “Sistema de rizar das velas redondas que consiste em dois cabos, passando um pela face de vante e outro pela face de ré das forras de rizes, enfiando um pelos seios do outro que passam pelos ilhoses das mesmas forras, sendo o vergueiro guarnecido de trambelhos para se praticar a manobra”.

(3) Cabo que guarnece a orla da vela e a ela é cosido com ponto de palomba. Toma o nome do lado da vela que guarnece. Assim, temos tralha da esteira, da valuma, da testa e do gurutil. À tralha são presos garrunchos, aros, colchetes ou mosquetões que servem para vestir a vela em verga, mastro ou estai.

 

1 – “amantilho da verga” (lift)

2 e 3 – “talha do lais/talha de rizar” (reef-tackle)

4 – “impunidouro” (head-earing/reef-earing)

5, 6, 7, 8 e 9 O primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto “garruncho” da talha do lais ou de rizar (reef tackle cringle)

10 – “garruncho da bolina”  (bowline cringle)

11 – “colchete do punho da escota” (spectacle clew)

12 – “trambelho do briol” (buntline toggle)

13,14 e 15 – “vinhateiras do briol” (glut)

(continua)

 

Um abraço e…

Bons Ventos