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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

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03.10.19

51 - Modelismo Naval 7.27 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 3"


marearte

 

ib-04.1.jpg

Caros Amigos

 (na Continuação dos posts 33 e 34 do "Glossário)

 

2 - Mastreação

Desenho 5

O Gurupés dos Grandes Veleiros

 

Glossário-Desenho 5.jpg

Aviso à navegação:

Nota: Neste verbete irá aparecer, algumas vezes, o termo “pega” que não é “péga” mas sim “pêga”, mas escreve-se “pega”. Coisas de marinheiros! E isto foi antes do bendito Acordo Ortográfico!

O Gurupés (Bowsprit/ Boltsprit), é um mastro disparado para vante, a partir da roda de proa e no plano diametral, (plano de simetria da embarcação que passa pelo meio de toda a extensão da quilha, dividindo o casco em duas partes iguais) com maior ou menor inclinação em relação ao plano horizontal. No caso dos navios aparelhados como galeras esta inclinação é de cerca de 35o sobre a horizontal. O ângulo do gurupés em relação à horizontal chama-se “arrufamento” (Bowsprit steeve)

Este mastro serve para dar maior robustez à armação dos mastros e para aumentar a área velica à proa. É usado em todos os navios de vela.

O gurupés das galeras tem uma pega no topo para encaixe do “pau da bujarrona” (Jib boom) que, por sua vez se prolonga no “pau de giba” (Flying gib boom). Estes paus, no seu conjunto, também podem ser chamados de “gurupés”. Quando constituído por uma única peça toma o nome de “gurupés mocho” (Horn bowsprit).

O pé do gurupés apoia-se na “trempe” (4, no final deste verbete), ficando o corpo preso à roda-de-proa pela “trinca do gurupés”(1) (Bowsprit gammoning).

Disparado em ângulo normal e para baixo, existe uma verga, “pau do pica-peixe” (Martingale boom), por cujo “lais” (Yard arm) passam os cabos ou correntes do estai e “patarraz” (Guy) do “pica-peixe” (Martingale). O gurupés é amarrado para baixo por “cabrestos” (Bobstay) e “contra cabrestos” (Cap bobstay). Possui “guarda-mancebo” (Bowsprit horses) para proteção do pessoal que nele trabalha e “rede de cevadeira” (Spritsail net) com o mesmo fim.

No gurupés fazem fixo o estai do traquete e o estai do velacho. No pau de bujarrona faz fixo o estai do mesmo nome e no pau de giba, o estai da giba. Nos veleiros menores o gurupés é inteiriço (mocho) e tem um estai de galope e um estai de bujarrona.

(1) – “Trinca do gurupés” é a corrente ou cabo com que se atraca o gurupés para o beque, com um dos chicotes fixando-se neste mastro e o outro passando em volta dele, entre dois cunhos e por uma abertura – a casa da trinca – feita no beque. Os navios de grande porte têm duas trincas: a de fora e a de dentro. A trinca serve para a segurança do gurupés contra o esforço da mastreação.

1 – Estai da Polaca (Spitfire jib stay) - Estai que é passado (ou já está encapelado) quando há mau tempo, como reforço ao estai do traquete e que pode envergar uma vela latina triangular, a “polaca”, que é uma vela usada em situações de mau tempo. Este estai também pode estar encapelado permanentemente ficando, normalmente, sem qualquer vela envergada.

2 – Estai do Traquete (Foresail stay) – Estai encapelado no calcês do mastro real do traquete em direção ao meio do gurupés propriamente dito onde faz fixo e pode envergar uma vela latina triangular embora, normalmente, esteja livre.

3 – Estai do Velacho (Fore topsail stay) – Estai encapelado no vau do mastaréu do velacho e faz fixo junto à pega do gurupés. Enverga uma vela latina triangular com o nome de “vela de estai do velacho” (Fore staysail).

4 – Estai da Bujarrona (Jib stay) – Estai encapelado também no vau do mastaréu do velacho e faz fixo junto à pega do pau da bujarrona. Enverga uma vela latina triangular com o nome de “vela da bujarrona” (Jib staysail).

5 – Estai do Joanete de Proa (Fore topgallant stay) – Estai encapelado na “panela de encapeladuras do joanete” (Fore topgallant mast funnel) e faz fixo também junto à pega do pau da bujarrona. Pode envergar uma vela latina triangular mas, normalmente, fica livre.

6 - Estai da Giba (Flying jib stay) – Estai encapelado também na “panela de encapeladuras do joanete” no mastaréu do joanete e faz fixo na ponta do galope do pau de giba. Enverga uma vela latina triangular com o nome de “vela de giba” (Flying jib sail).

7 – Estai do Sobre de Proa (Fore royal stay)– Estai encapelado na “panela de encapeladuras do sobre” (Fore royal mast funnel) no galope do mastaréu do sobre e também faz fixo na ponta do galope do pau de giba. Pode envergar uma vela latina triangular mas, normalmente, fica livre.

Nota: De ante para a ré, as velas de proa de uma galera são giba, bujarrona, vela de estai e, eventualmente, polaca. Uma outra combinação possível de se encontrar é a existência de duas bujarronas ficando, também de ante para a ré, giba, bujarrona de fora, bujarrona de dentro, vela de estai e, eventualmente polaca, ficando a bujarrona de fora envergada no estai do joanete de proa que, na combinação de 3 velas de proa, se encontra livre.

8 – Estai de Galope do Pau da Giba (Flying jib royal stay) – Cabo que desce do topo do pau da giba vindo encapelar no lais do pau de pica-peixe.

9 – Estai do Pau da Bujarrona (Jib stay) – Cabo que desce do topo do pau da bujarrona vindo encapelar no lais do pau de pica-peixe.

10 – Gurupés (Bowsprit) Já definido no início deste verbete.

11 – Pau da Bujarrona (Jib boom) – Mastaréu que emecha na pega do gurupés, com ele se prolongando e no qual amura-se o punho da bujarrona.

12 – Pau da Giba (Flying gib boom) – Pau que espiga para fora do pau de bujarrona.

13 – Pega do Gurupés (Bowsprit cap)O mesmo que Pega da Bujarrona.

14 – Pega da Bujarrona (Jib cap) – Pega que encapela na mecha do extremo do gurupés e por onde espiga o pau da bujarrona.

15 – Patarrás (Guy) Cada um dos cabos fixos – do gurupés, do pau da bujarrona, do pau da giba, da “cevadeira”(2) (Spritsail) – que aguentam estes paus para as amuras. Tomam o nome do pau onde trabalham.

(2) - A cevadeira era uma vela redonda que envergava na verga da cevadeira, atravessada sob o gurupés e que, em meados do século XVIII, foi substituída, tal como a sobrecevadeira (pequena vela redonda que armava numa verga colocada por cima da cevadeira – ante a vante desta vela, no gurupés), pelas velas triangulares de proa (estai, bujarrona e giba) passando as cevadeiras a ser apenas as vergas assim denominadas, a terem uma função de espalha-cabos do gurupés. A vela de cevadeira e a de sobrecevadeira trabalhavam muito próxima da superfície das águas e por isso só podiam ser envergadas em dias de bom tempo.

16 – Patarrás do Pau da Bujarrona (Jib boom guy) – O mesmo que a definição 15.

17 – Patarrás do Pau de Giba (Flying gib boom guy) – O mesmo que a definição 15.

18 – Patarrás do Pica-Peixe (Martingale guy) – O mesmo que a definição 15.

19 – Patarrás do Gurupés (Bowsprit shroud) – O mesmo que a definição 15.

20 – 1º Cabresto (1st. Bobstay) – Corrente ou cabo que aguenta o gurupés para o “beque”(3) (Head) a fim de que esse mastro suporte o esforço dos estais.

(3) - O beque é a parte saliente e superior da roda-de-proa, nos antigos navios de vela, destinada principalmente a dar firmeza ao gurupés. É sobre o beque que se coloca a figura de proa ou carranca.

21 – 2º Cabresto (2nd. Bobstay) – O mesmo que o anterior, para reforço do suporte.

22 – Contracabresto (Cap bobstay) – Corrente ou cabo que aguenta o gurupés para a roda-de-proa, reforçando os cabrestos e por fora destes. Um dos “chicotes”(End) faz fixo sob o gurupés e mais para a vante que os cabrestos; o outro chicote prende-se na roda-de-proa.

Nota: Chicote é cada uma das duas pontas de um cabo (corda).

23 – Verga de Cevadeira (Spritsail yard) – Verga referida a propósito do termo “patarraz”, que no desenho apresentado neste verbete tem mesmo a única função de espalha-cabos do gurupés.

24 – Tamanca (Bowsprit plain chock) – Cada uma das duas peças de madeira dispostas de cada lado do gurupés, junto à pega, com a roda entre elas e o mastro, para passagem do estai e contraestai do velacho

25 – Pau de Pica-Peixe (Martingale boom) – Pau situado junto à pega do gurupés, no sentido vertical para baixo, servindo para aguentar para baixo o pau da bujarrona e o pau de giba, através dos estais que partem destes, passam pelo lais do pau do pica-peixe e vão fazer fixo na roda-de-proa.

26 – Mecha do Gurupés  (Bowsprit tenon) – Concretamente são duas que se situam uma em cada um dos extremos do gurupés. A interior que se destina a firmar o gurupés na “trempe”(4) (Bowsprit step/Bowsprit bitt/ Bowsprit heel bitt), dentro do navio e a exterior para a pega do gurupés

(4) - Trempe é um dispositivo que existe na proa e que se destina a receber a mecha do gurupés, dispositivo esse constituído por duas colunas de madeira e dois chapuzes horizontais (malhetes) que, pela sua função, corresponde à carlinga dos mastros, que é uma peça robusta, de madeira ou de metal, assente na sobrequilha, sobre um convés ou na coberta e que serve para aguentar o pé de um mastro montado mais ou menos na vertical.

 

5 - Velame

 

Desenho 6

 

A Andaina dos Grandes Veleiros

 

Glossário-Desenho 6 (1).jpg

 

A designação principal das velas, em português, (a Negrito) diz respeito ao Mastro Grande. Nos Mastros do Traquete e da Mezena (da Gata) muitas vezes são diferentes das do Grande. Quando diferentes, estes nomes são apresentados em itálico com sublinhado simples para o Traquete e sublinhado com realce a amarelo para a Mezena, no final de cada entrada.

 

1 – Vela Grande, Papa figo do Grande, Vela Mestra (Lower Course, Mainsail, Main Course)

Traquete Redondo, Papa figo do Traquete; No caso da Mezena, embora existindo uma verga que normalmente não é guarnecida com qualquer vela (daí chamar-se Verga Seca) existe um latino quadrangular ante a ré do mastro, com o nome de Vela de Ré.

2 – Vela da Gávea do Grande (Single Topsail)

Velacho; Gata.

3 – Vela do Joanete Grande (Single Topgallant)

Joanete de Proa; Sobregata.

4 – Vela do Sobrejoanete, Sobre do grande (Royal)

Sobre de Proa; Sobregatinha.

5 – Vela do Sobrinho; (Skysail)

6 – A/ Vela da Gávea de Cima, B/ Vela da Gávea de Baixo (Double Topsails)

Quer o Velacho do Traquete quer a Gávea do Grande, quer a Gata da Mezena, que são velas pesadas e envergam em vergas pesadíssimas, foram desdobradas em duas nos meados de século XIX, o que veio facilitar a rapidez e melhorar a segurança na manobra das mesmas, principalmente em situações de tempestade. Uma outra razão para esta solução vem do facto da necessidade de diminuir o número de tripulantes por razões económicas possibilitando a constituição de equipas com menos tripulantes, não diminuindo a eficácia.

7 – Varredoura –  (Lower Studding Sail) - usualmente a grafia e a pronúncia é (Stun’sl)

  • Tipo A - Comum (retangular) que usa um pau da varredoura na esteira;
  • Tipo B - (Tipo “Cutty Sark”) (triangular com curvatura) por volta de 1860’s. O desenho a tracejado pode ser encontrado noutros navios da época. Não necessita do pau de varredoura;
  • Tipo C - Piramidal outro tipo (Americano) que também não usava pau de varredoura.

8 – Cutelo da Gávea (Topmast Stun’sl)

9 – Cutelo do Joanete (Topgallant Stun’sl)

10 – Cutelinho do Sobre (Royal Stun’sl)

11 – Vela de Estai com corte no gurutil (Staysail with nock)

12 – Vela de Estai (Staysail)

13 – Vela de Ré ou Vela da Mezena – Embora apareçam os dois nomes identificando a mesma vela, julgo que mais propriamente deverá chamar-se à latina quadrangular que trabalha no mastro da Mezena, Vela de Ré. A designação Vela da Mezena deve ser reservada para quando a Verga Seca é guarnecida por uma vela redonda (muito raramente); Spanker (para Vela de Ré)  e Driver (para Vela da Mezena).

 

Neste desenho, estão identificados nas velas redondas alguns pontos existentes nas mesmas (olhais), e que servem para a fixação ou passagem dos cabos usados nas diferentes manobras das velas. Os que se indicam são os usados num hipotético navio de 3 mastros – um “Clipper” que é considerado como “Full Rigged Ship” ou seja um “Navio Totalmente Aparelhado”. As manobras dos navios com pano redondo e pano misto podem variar mas no essencial são quase sempre idênticas no aparelho e na sua forma de execução tanto para um “Clipper” como o Cutty Sark como para uma “Barca” como a Sagres ou qualquer outro navio idêntico. Podem é diferir no seu grau de dificuldade e morosidade. A identificação destes olhais, por questões de falta de espaço no desenho e para uma maior possibilidade de identificação, será dada num desenho posterior, também dedicado ao Velame.

(continua)

 

Um abraço e …

Bons Ventos.

 

 

 

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