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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

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Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

23.07.19

45 - Modelismo Naval 7.21 - "Cutty Sark" - O Modelo 3.2


marearte

ib-04.1.jpg

 

Caros amigos

(continuação)

 

 

Alguns pormenores do modelo

 

O convés visto por bombordo

CS-10.jpgO Castelo de Proa visto pela amura de bombordo

 

Na proa do navio encontra-se o “castelo de proa” (também conhecido como “convés da âncora”) onde é visível, no plano mais próximo à direita, o “turco” de ferro que serve para auxiliar a elevar a âncora de bombordo (igual no estibordo) e, seguindo o enfiamento proa-popa a meio do castelo de proa, o “cabrestante” manual que serve para auxiliar na alagem de cabos, seguido à direita, de uma “bomba de água” de sucção e do – tão célebre no “Cutty Sark” – “sino da âncora”.

Já no convés principal, encostadas ao castelo de proa junto à balaustrada e das escadas de acesso ao convés da proa, existem duas “casas de banho” sendo a que se encontra a bombordo destinada aos marinheiros e a de estibordo destinada aos oficiais inferiores do navio tais como: o mestre de equipagem, o carpinteiro, o cozinheiro, o despenseiro e o moço das luzes. Parece que a destinada aos oficiais inferiores raramente era usada.

 

CS-11.jpgA escotilha de proa (Nº 1), a base do mastro real do traquete e as instalações de proa.

 

Descendo as escadas para o convés principal encontra-se no meio do início do mesmo a escotilha Nº 1 “escotilha de proa” – é visível o tabuado da tampa – que dá acesso ao convés inferior e ao porão e, seguindo no sentido da popa, um “sarilho” manual (pouco nítido na imagem, entre a escotilha e a “mesa de malaguetas” do mastro do traquete), que serve para facilitar a manobra dos cabos de laborar do “mastro do traquete” cabos esses que se encontram colhidos em voltas “aduchas (1) em pandeiro – ou aduchados em pandeiro” suspensos de mesas de malaguetas que se encontram na base do mastro real e entre o mastro e o sarilho.

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(1) Aducha: cada uma das voltas da amarra ou cabo, que se dão em círculos sobrepostos (1), ou concêntrico s (2) ou em pernadas paralelas (3) ao colher o cabo para que fique arrumado e safo. Existem três formas mais usuais de fazer uma aducha: em pandeiro (1) suspensos em cunho ou em malaguetas, à inglesa (2) e em cobros (3):

(1) – Em pandeiro

pandeiro.jpg

Estas duas formas, principalmente a segunda, são as mais usadas no “Cutty Sark” e em todos os veleiros mercantes.

 

(2) – À inglesa

inglesa.jpg

Esta forma, embora bastante elegante, só era usada em alguns poucos cabos e principalmente nos navios de guerra de Sua Majestade e nos navios de guerra dos U.S.A. Na marinha mercante, apareciam muito raramente.

 

(3) – Em cobros

cobros.jpg

Uma outra forma era colher os cabos em cobros, também muito pouco usada pois requer bastante espaço livre no convés para ser usada.

 

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Seguindo no mesmo sentido, encontra-se a “casa da proa do convés” dividida em 3 secções onde, por esta ordem, se encontravam as “instalações dos marinheiros” (bastante exíguas, com 12 beliches, uma mesa, servindo as caixas dos pertences dos marinheiros como bancos quando necessário) seguindo-se a “oficina de carpintaria” e no final, já junto da escotilha de meia-nau, a “cozinha

 

CS-12.jpgA enxárcia, os brandais fixos e volantes do traquete, as luzes de sinalização e as instalações de meia-nau.

 

Os mastros reais eram “emechados” (encaixados, e seguros com cunhas) numa “carlinga” na “sobre-quilha” passando pelo “convés” e pela “coberta” através de “enoras” (buracos circulares ajustados à “palha” – grossura - dos mastro reais).

 

Eram sustentados na sua posição quase vertical – tinham normalmente uma inclinação de poucos graus em relação à vertical no sentido proa/popa – por dois tipos de cabos fixos que tomavam os nomes consoante os mastros e mastaréus a que estavam ligados.

Uns que dizem no sentido proa/popa denominados “estais”.

Outros que dizem no sentido bombordo/estibordo (que tomam o nome de “enxárcias” (compostas por um conjunto de 5 cabos chamados “ovéns” – os primeiros da esquerda para a direita na fotografia - e por enfrechates” que os ligam entre si, formando uma espécie de escada que serve para aceder até ao topo dos mastros), “brandais fixos (os primeiros 3 a seguir aos ovéns) e “brandais volantes” (os 2 últimos depois dos brandais fixos) estes últimos podendo ser deixados folgados ou ser tesados de acordo com o vento (são tesados os brandais volantes de barlavento).

Os ovéns das enxárcias bem como os brandais ligam-se à “mesa das enxárcias” através de aparelhos de força compostos de um tirador que é tesado entre duas bigotas de 3 furos.

Entre o 3º e o 4º ovém podem-se ver as “lanternas de sinalização de posição” - que  na altura funcionavam a “azeite” de baleia, mais propriamente de cachalote - que emitiam uma luz vermelha a de bombordo e uma luz verde a de estibordo.

Por cima da cobertura da casa do convés da proa era guardado um dos “botes salva-vidas” do navio.

 

CS-13.jpgA escotilha Nº 2, o aparelho fixo do mastro grande, os botes salva-vidas e os turcos para arriar e alar os botes e canoas salva-vidas.

 

Entre a casa do convés de proa e o mastro grande, cujo aparelho fixo tem uma constituição igual à do mastro do traquete, segue-se a ”escotilha nº 2“ que dava acesso direto ao porão bem como a ”casa do convés de meia nau” onde ficavam alojados os diferentes oficiais inferiores bem como os aprendizes embarcados.

Na cobertura desta casa do convés e em dois suportes – que prolongam o teto da casa do convés para ambos os bordos – um  a bombordo e outro a estibordo, ficavam arrumados um bote salva-vidas bem com as duas canoas à vela que tinham função idêntica.

Depois do final da casa do convés de meia-nau encontra-se a “gaiuta da escotilha de passagem” para os alojamentos dos oficiais.

 

CS-14.jpgA câmara dos oficiais, o aparelho fixo e de manobra da mezena, as mesas de malaguetas do aparelho de manobra e a zona do leme na popa.

 

No “tombadilho” (castelo de popa completamente fechado acima do convés superior, que vai do mastro da mezena à popa, de borda a borda onde se encontram os alojamentos do comandante e dos oficiais), são visíveis, a saber:

  • O “roof” (telhado) que sobressai do tombadilho e que aumenta o pé direito das instalações que se encontram por debaixo (câmaras e salão) sobressaindo deste “roof” a claraboia – no centro do “roof” – que leva a luz natural para o interior, um canhão de avisos situado no canto direito do mesmo e, na linha central, a bitácula da bussola;
  • Quatro mesas de malaguetas (a 4ª fica situada a estibordo e está oculta) onde moram os cabos de manobra das velas da mezena;
  • A verga da “retranca” da “vela de carangueja”;
  • A “roda do leme” e a respetiva “caixa de engrenagens”.

 

 

Os mastros do navio

O mastro da Mezena

 

CS-16.jpg

 

O “mastro da mezena” (em alguns lados também chamado “mastro da gata”) é composto, de baixo para cima, por “mastro real da mezena ou da gata, “mastaréu da gata” e “mastaréu da sobregata”.

A partir do convés, este mastro tem as seguintes vergas e enverga as seguintes velas:

  • Uma vela latina quadrangular (“vela de carangueja”) chamada “vela de ré ou mezena” cuja “esteira” (lado inferior da vela) enverga na “retranca” (verga), o “gurutil” (parte superior da vela) enverga na “carangueja da mezena” (verga), a “valuma” (com corte em “aluamento”), que se encontra solta do lado que diz para a ré e impune no “penol da carangueja” pelo “punho da pena” e a “testa” que desliza, para cima e para baixo, no mastro, presa por “garrunchos” (anéis metálicos que abraçam o mastro);

 

  • Uma verga chamada de “verga seca”, destinada a envergar uma “vela grande da gata” (vela redonda), o que normalmente não acontece – para não dizer nunca. No caso do presente modelo esta vela está envergada só para efeitos documentais;

 

  • Continuando a “trepar” pelo mastro encontramos duas vergas, a “verga da gata baixa” e a “verga da gata alta” que correspondem à vela da gata antes de meados do século XIX (c. 1850), altura em que as velas acima de gávea começaram a ser desdobradas em duas por duas razões: falta de pessoal para a manobra bem como perigosidade e morosidade na mesma devido ao peso das velas. É de notar que o desdobramento da vela em duas não diminuiu o peso do conjunto mas sim possibilitou a manobra de metade do peso de cada vez. Nestas vergas envergam as respetivas velas: “gata baixa” e “gata alta”;

 

  • Acima destas duas velas encontra-se a “verga da sobregata” onde enverga a vela da “sobregata”;

 

  • E acima desta última vela encontra-se a “verga da sobregatinha” onde, como não podia deixar de ser, enverga a vela da “sobregatinha”.

 

Além destas velas redondas do mastro da mezena, existem no “Cutty Sark” e neste mastro, mais duas, chamadas, na generalidade de “velas de entre mastros”. São velas latinas que trabalham nos estais existentes que servem de suporte ao mastro e vêm morar a meia altura do mastro grande e na base do mesmo.

São elas:

  • A “vela de estai da sobregata” no estai que sai do “mastaréu da gata” para o “mastaréu da gávea do grande”;

 

  • A “vela de estai de mezena” que funciona no estai que saí da “gávea da mezena” para a “base do mastro grande”.

 

Embora não seja o caso deste modelo já que, pelos documentos iconográficos sobre o “Cutty Sark” tal não esteja documentado, existe a possibilidade de, noutros navios armados em galera, possam ser envergadas outras velas de entre mastros. O princípio é o de que onde exista um estai poderá haver uma vela latina envergada. O limite será o da estabilidade do navio, para que o centro de gravidade, pela ação do vento no plano velico, não se desloque muito para sotavento, levando o navio a adernar de forma a poder soçobrar.

Assim, pode-se referir que para os estais existentes no “Cutty Sark” é possível envergar mais duas velas entre mastros a partir do mastro de mezena: “vela de estai de sobregatinha” e “vela de estai de gata”. Mas nada autoriza a dizer que isso não aconteceu. Como dizer o contrário também seja verdade.

 

(continua)

Um abraço e …

Bons Ventos

 

 

 

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