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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

10.12.19

55 - Modelismo Naval 7.31 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 7"


marearte

ib-04.1.jpg

Caros amigos

(continuação)

 

Desenho 9

O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros -1

As fotos do “Sagres II” que figuram neste post, foram “pedidas emprestadas” ao site “Jans-sajt.se”. Os meus agradecimentos.

Desenho 9.jpg

 

 

Foto 6: Braços (Braces)

6-Braços (1).jpg

Os braços (Cabos aguentados nos laises das vergas redondas e que servem para movê-los horizontalmente, aguentando-os para a ré. Cada verga tem dois) servem para virar as velas ao vento colocando as vergas de forma a “apanharem” o vento da melhor forma tirando o melhor partido da sua acção sobre as velas.

Os braços estão sempre aos pares (um para BB e outro para EB). Estes cabos saem dos laises das vergas em direção ao mastro, descendo para o convés, após passarem por um sistema de roldanas que está ligado ao mastro atrás (ante a ré)), a fim ter bastante efeito de força de alavanca. Vão morar nas mesas de malaguetas que ficam na amurada.

No caso das galeras, que têm velas redondas nos três mastros, onde o mastro da gata não tem qualquer outro mastro ante a ré, o sistema de roldanas/alavanca é feito com o mastro grande que lhe fica por ante a vante.

Os braços dos modernos veleiros não são manobrados manualmente mas sim por guinchos elétricos.

 

Foto 7: Escotas (Sheets) e Amuras (Tacks)

7-Escotas e Amuras (1).jpg

As escotas (Cabo de laborar que se prende no punho das velas – punho da escota – e que serve para caçar e folgar os panos. Nas velas redondas há uma escota por bordo e nas latinas, apenas uma. As grandes velas de proa têm, para facilitar a manobra, uma escota com duas pernas: uma trabalha caçando o pano por sotavento enquanto a outra perna, de barlavento, vai folgada) são importantes para manter as velas tesadas no vento. Os cantos inferiores das velas (os punhos) são os pontos donde saem as escotas e os estingues. Quando as escotas estão tensas, os estingues estão folgados e vice-versa.

As escotas das velas redondas são sempre aos pares uma por BB e outra por EB. Conduzem do punho da vela para baixo em direção da verga inferior seguinte ou diretamente para o convés. Na sua maior parte, as escotas são aduchadas nas escoteiras junto aos mastros.

Somente as velas redondas mais baixas (os papa figos) são diferentes: Têm as escotas que conduzem para a ré e as amuras (Cabos com que se prende o punho de barlavento dos papa figos que conduzem para a ré), para permitir que estas velas balancem horizontalmente à volta do mastro fixando a vela numa determinada posição; as amuras dos papa figos estendem-se, por uma longa distância, ao longo do convés. As escotas suportam a parte de leão do esforço de tração, sendo as amuras também chamadas de "amuras preguiçosos ", porque a sua função principal é manter as vergas nos lugares. As escotas e as amuras dos papa figos passam através de buracos na amurada nos lados do navio em direção ás mesas de malaguetas.

 

Foto 8: Estingues (Clewlines/Cluelines)

8-Estingues (1).jpg

Estingues (Cada um dos cabos fixos nos punhos das escotas das velas redondas, que serve para colhê-las para os terços, como faina preliminar antes de ferrar o pano. Cada vela tem dois estingues, que podem ser singelos ou dobrados. Var. estinque, ostingue), são as contrapartes das escotas, usados para transportar os punhos das velas até às vergas. Esta é a pré-condição para abafar o pano com os brióis e com as valumas.

Uma exceção em veleiros mais modernos é a verga da vela da gávea alta. Aqui, o estingue é chamado de carregadeira pois esta vela é arriada em conjunto com a verga o que leva a verga para junto dos punhos e não os punhos para junto dos terços da verga.

Os estingues estão sempre em pares para BB e EB. Eles saem do punho da vela até ao braço da verga, de lá para o meio da verga, onde passam em moitões alceados em direção ao convés, ficando alojados em malaguetas na escoteira dos mastros ou nas mesas das malaguetas junto à amurada. Qualquer destes “arranjos” pode ser encontrado, dependendo do navio e do espaço disponível.

Os estingues muitas vezes estão dispostos junto com os brióis, nas mesas de malaguetas, pois ambos são usados para tomar velas para dentro. Mas no "Sagres II" por exemplo, os estingues estão aduchados como "pares opostos" (da mesma vela, como BB e EB) com os cabos de cada uma das  velas usando duas malaguetas contiguas na escoteira dos mastros.

 

Desenho 9.1

O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros – 2

Na legenda da foto 9 deste desenho, onde se lê “Valuma” deve ler-se “Apaga”

Desenho 9.1.jpg

 

 Foto 9: Brióis (Buntlines) e Apagas (Leech lines)

9-Brióis e Valumas (1).jpg

Os Brióis (Cada um dos cabos costurados na esteira das velas de papa-figos e gáveas, para carregar o pano de encontro à verga. Os papa-figos têm quatro e as gáveas têm dois brióis), e que servem, na faina de ferrar as velas, para elevar a esteira da vela até ao nível da verga permitindo aos marinheiros que se encontram nas vergas, abafar o pano mais facilmente e ferrá-lo contra as mesmas.

Os brióis estão sempre em pares de 2, 4 ou 6 simetricamente para BB e EB; às vezes existe um briol centrado na esteira da vela. A sua função é suspender a vela levando a sua esteira até junto da verga, onde é ferrada com as bichas que se usam para abafar as velas.

Estes cabos partem da esteira das velas em direção às vergas onde mudam o sentido, para os terços da verga onde, através de moitões, convergem em direção do convés até às mesas de malaguetas da amurada; os brióis das velas superiores passam pelas claras dos cestos da gávea. O seu percurso descendente é quase paralelo ao dos brandais.

Apagas (Cada um dos cabos de laborar que servem para carregar as testas das velas dos papa-figos ou seja, para prolongar as testas das velas com o gurutil. Cada vela tem, em geral, duas apagas. Nas gáveas tomam o nome de sergideiras. Os joanetes e sobres não têm apagas), são um subtipo de brióis que levam as testas das velas redondas para a verga, obliquamente, para facilitar o ferrar das mesmas.

 

 Foto 10: Bolinas (Bowlines)

10-Bolinas (1).jpg

As Bolinas (Cabo que se fixa no amante e poa das testas dos papa-figos, gáveas e joanetes para, nos ventos de través para a proa, chamar para a vante o mais possível a testa de barlavento, para que não fique branda e o vento não tenha acção por ante a vante da vela. A bolina de sotavento vai folgada. Cada vela redonda, exceto o sobre, tem duas bolinas), sempre em pares para BB e EB foram usadas até c.1850, nos antigos veleiros. Estes cabos de manobra, com o advento das velas de gávea duplas, para evitar as velas de grandes dimensões difíceis e perigosas para manobrar e o aparecimento das fragatas das marinhas de guerra e dos “clippers” das marinhas mercantes, saíram de uso.

Embora exista pouca documentação sobre as bolinas, as velas antigas eram muito mais ”ventrudas” do que as velas que conhecemos hoje e eram manobradas de um modo diferente. Não podiam ser braceadas de uma forma tão afinada como se pode fazer hoje por muitas razões, a bolina ajudou a compensar esse limite, facilitando a entrada do vento, mantendo a testa do lado do barlavento tesada para a proa e aberta para o vento - mais ou menos eficaz ... mas, na maioria dos casos, a bolina era um dos cabos menos eficazes de todo o equipamento.

Quando as bolinas deixaram de ser usadas, a fotografia tinha acabado de ser inventada sendo ainda uma técnica imatura, e por isso não existem muitas fotos suficientemente claras para mostrar bolinas em ação. Embora o “Sagres II” não use bolinas, a sua imagem foi usada para desenhar uma possível localização de bolinas neste navio (desenhadas a amarelo).

As bolinas cosem nas velas que servem, em dois pequenos cabos que formam um pé de galinha mais ou menos a dois terços da altura da vela. Estes cabos ganham os nomes de amante da bolina (Cabo ligado à testa das velas redondas de papa-figo e joanetes que, com outro denominado poa, forma o pé de galinha da bolina das velas) o primeiro (por cima) e de poa o segundo (por baixo)

A bolina, como cabo de manobra, hoje em dia só tem interesse para historiadores e para modelistas. No entanto, o nome deste cabo ficou aliado a um dos nós mais usados em várias atividades, incluindo na marinha,  no montanhismo, nos escoteiros e outros, usa-se o nó de bolina para várias manobras e atividades. Este nó é hoje conhecido como “lais de guia” (engate de bolina, na navegação).

 

O Lugar dos Cabos de Laborar no "Sagres II"

Mesa de Malaguetas (1).jpgUma Mesa de Malaguetas do “Sagres II” onde são organizados os cabos de laborar, adriças, braços, amuras, brióis e por vezes estingues, neste caso do mastro grande.

 

Escoteira.jpg

 A Escoteira do Mastro Grande do “Sagres II” onde ficam “arrumados” os cabos de laborar das escotas, estingues e amantilhos, das velas do mesmo mastro

 

Isto é o que basicamente se pode dizer sobre os cabos de laborar de um grande veleiro.

 

(continua)

 

Um abraço e…

Bons Ventos

 

10.12.19

54 - Modelismo Naval 7.30 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 6"


marearte

ib-04.1.jpg

 

Caros amigos

(continuação)

 

O Aparelho Fixo e o de Laborar

Nos navios existem diferentes cabos que servem para manter os mastros fixos nas carlingas, manobrar as velas e para içar ou arriar outras partes móveis dos mesmos.

Com base nos desenhos 9 e 9.1 abaixo, que representam o aparelho fixo e o de manobra da barca Sagres II (o atual Navio Escola da Marinha de Guerra Portuguesa) e tendo em atenção os diferentes garrunchos existentes nas velas (que foram identificados nos verbetes dos desenhos 7 e 8), nestes verbetes caracterizam-se os diferentes cabos do aparelho fixo e do de laborar quanto à sua localização e função.

Desenho 9

O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros -1

As fotos do “Sagres II” que figuram neste post, foram “pedidas emprestadas” ao site “Jans-sajt.se”. Os meus agradecimentos.

Desenho 9.jpg

 

Aparelho Fixo

 

O aparelho fixo engloba todos os cabos no navio que estão fixos. Só existem dois tipos: os Estais e os Ovéns (onde estão incluídos os Brandais)

 

Foto 1: Estais (stays)

1-Estais (1).jpg

 

Os estais são cabos (a vermelho na foto),

(Cabo – conjunto torcido de fibras vegetais, sintéticas ou de fios de arame, formando uma corda que serve para prender, suspender, conter, rebocar, alar, caçar, arriar, etc., um objeto, uma peça do aparelho, outro cabo, aguentando esforços relativamente severos)

normalmente reforçados,

(Cabo alcatroado – cabo tratado com um banho de alcatrão para melhor resistir à humidade; Cabo armado – cabo de arame com madres de cabo de linho-cânhamo alcatroado; Cabo calabroteado – cabo formado por três ou mais cabos de massa torcidos)

com uma bitola relativamente elevada,

(Bitola – medida da grossura dos cabos que, nos cabos de arame, é usual a referência ser o diâmetro do cabo enquanto que nos cabos de fibra, salvo menção em contrário, a bitola refere-se ao perímetro da circunferência retificada do cabo. Em qualquer dos casos as medidas podem ser em milímetros ou em polegadas),

que se encontram encapelados nos calceses dos navios  de vela e que servem para sustentar os mastros para a vante tomando o nome do mastro ou da vela que sustentam.

As velas latinas de proa e de entre-mastros são envergadas em alguns destes estais.

Chamam-se:

Estais reais – os do traquete, do grande e da mezena (também chamado mastro da gata);

Estais de gávea – os do velacho, gávea e gata;

Estais de joanete – do joanete de proa, joanete grande e sobregata;

Estais de galope ou de sobre – do sobre de proa, sobre do grande e sobre gatinha;

Estais de proa – da giba, e da bujarrona.

Um outro tipo de estais são os que, do lado inferior do gurupés, o sustentam para a ré (ao contrário dos anteriores), fazendo fixe na proa do navio através de patarrazes. Contribuiem para o equilíbrio das diversas tensões que se exercem sobre o aparelho: 

Estais do gurupés – do galope do pau de giba e do pau de bujarrona.

 

Foto 2: Ovéns (shrouds) e Brandais (backstays)

2-Ovéns e Brandais (1).jpg

 

Os ovéns e os brandais são cabos que aguentam os mastros para os bordos dos navios.

  • Os ovéns formam a enxárcia dos mastros reais, ou dos mastaréus de gávea e do joanete (a vermelho junto aos mastros, formando um desenho triangular).

As enxárcias dos mastros reais e dos mastaréus de gávea, têm “enfrechates” que servem para dar consistência ao conjunto mas também para a tripulação poder subir aos mastros, e as dos joanetes não têm (existem exceções).

  • Os brandais fixos fazem parte do aparelho fixo do navio e tomam o nome do mastro ou mastaréu onde trabalham. Ao contrário destes brandais existem os brandais volantes que entram na categoria de aparelho de manobra, que têm ou não têm encapeladura (em caso de necessidade pode ser lançado um cabo extra que não se encontra previamente encapelado não fazendo parte do aparelho fixo), servindo para reforçar a sustentação do mastro e podem ser tesados a partir do convés, de acordo com o vento, tesando-se o brandal de barlavento (a vermelho junto aos mastros, formando um desenho de três linhas paralelas)

 

Aparelho de laborar (ou de manobra)

O aparelho de laborar ou de manobra, envolve todos os cabos e talhas usados para mover as velas nas várias manobras.

Embora existam muitos cabos montados nos grandes veleiros, necessários para o seu governo, os seus tipos por função, não são muitos. Encontram-se Adriças (Yard Halyards; Gaff Halyards; Staysail Halyards), Carregadeiras (Downhauls), Amantilhos (Topping Lifts), Braços (Braces), Escotas (Sheets), Amuras (Tacks), Estingues (Clewlines), Brióis (Buntlines), Apagas (Leechlines) e, já em desuso, Bolinas (Bowlines). Cada vela tem um número definido destes cabos e, no caso das velas redondas, eles são aos pares, um para bombordo e outro para estibordo. Quanto mais velas, mais cabos existem que têm de ser aduchados ordenadamente nas escoteiras e nas mesas de malaguetas, no convés.

É apenas confuso à primeira vista ...

As funções destes cabos são as seguintes:

 

Foto 3: Adriças das Vergas (Yard Halyards) e Adriças da Carangueja (Gaff Halyards)

3-Adriças Vergas e Adriças Carangueja (1).jpg

As adriças ou driças (Qualquer cabo singelo ou passado em aparelho de força, que serve para içar vela, verga, bandeira ou sinal. Toma o nome da coisa que iça) das vergas das velas redondas são usadas para içar ou arriar as vergas das velas superiores, a fim abaixar o ponto de gravidade, especialmente quando o navio enfrenta uma tempestade com vento forte. Com exceção das vergas inferiores dos antigos navios que usavam duas adriças, cada verga tem apenas uma adriça. Nos tempos antigos, todas as vergas das velas redondas eram içadas e arriadas desta forma. Aliás, todas as vergas tinham também um par de amantilhos (por BB e EB) para manter o equilíbrio das mesmas.

As vergas inferiores (a azul) são mais pesadas do que as vergas superiores (a vermelho) devido às suas dimensões. Assim, as suas adriças eram movidas por pesados blocos (talhas triplas - gin, triple tackle).

Algumas vergas superiores tinham uma talha dupla. Em navios antigos, as vergas inferiores (papa figos) também eram içadas e arriadas pelas tripas dos papa figos, (jeers) adriças muito grossas e pesadas que eram puxadas por um cabrestante. Nos grandes navios de primeira linha da marinha de guerra, eram usadas duas destas adriças para içar e arriar as vergas do traquete redondo e da vela grande.

As adriças das vergas superiores – adriça da gávea, adriça do joanete e adriça do sobrejoanete (topsail  halyard, topgallant sail halyard and royal halyard) são conduzidas até ao convés em paralelo aos brandais, e são aduchadas na mesa de malaguetas do mastro respetivo a BB e a EB. Por razões de simetria (para equalizar a distribuição por ambas as mesas de malaguetas), as adriças mais pesadas começam com o chicote a passar de um lado para cima, descendo pelo outro lado, onde gurnem numa peça de poleame mais ou menos pesada. Adriças mais leves levam diretamente da verga para a mesa de malaguetas do mesmo bordo.

Uma adriça de uma verga redonda é o equipamento do navio que aguenta maior força de tração. Suporta e movimenta toneladas de carga composta por:

  • A verga – Uma verga da vela grande tem cerca de 200 kg e o conjunto com a vela grande envergada, pode pesar até 6 toneladas!
  • A vela anexada – As velas de tempestade, de lona grossa, muito pesadas mesmo quando secas, podem igualmente pesar 1 tonelada.
  • Os marinheiros – Que fazem parte da faina pendurados no alto e de pé nos estribos da verga. São necessários mais de 10 homens para rizar, abafar ou ferrar uma vela redonda inferior.
  • O vento – Que tende a empurrar a vela para fora do mastro exercendo uma grande tração.

Nos grandes veleiros de transporte de carga (desde 1850), as velas das vergas inferiores, que usavam manobras de diminuição do pano deixaram de ter bolinas e de ser içadas e arriadas. As vergas foram fixadas com uma cremalheira (rack) ao mastro, permitindo-lhes apenas balançar horizontalmente com os braços. Ao mesmo tempo, deixaram de ter adriças.

Nos veleiros da classe "Mir", o chamado Choren-Rigging eliminou todas as adriças das vergas. Todas as vergas estão colocadas em aparelhos fixos aos mastros e são de material resistente, mas mais leve.

Sendo o navio “Sagres” uma barca, o mastro da mezena é de aparelho latino e, além da vela de ré dupla está aparelhado com outra vela latina chamada de gafetope (gaff topsail). Assim, neste mastro existem dois tipos de adriças: a adriça da pena (peak halyard) e a adriça da boca (throat halyard). Nas barcas modernas, as velas de gafetope da mezena estão penduradas em engrenagens fixas. Mas em escunas, as velas de gafetope ainda são içadas e arriadas com adriças.

  

Foto 4: Adriças das Velas de Estai (Staysail Halyards) e Carregadeiras de Arriar (Downhauls)

 4-Adriças Velas Estai e Carregadeiras de Arriar (1).jpg

Uma adriça das velas de estai (a amarelo) iça estas velas ao longo do estai. Esta adriça carrega o peso da vela e da força do vento.

A contraparte da adriça da vela de estai é a carregadeira de arriar (Cada um dos cabos que carregam as velas latinas e os cutelos. Tomam o nome do lugar da vela onde trabalham; carregarAbafar panos por meio de cabos que nos latinos se chamam carregadeiras e nos panos redondos, brióis, sergideiras, apagas e estingues) – a azul. A vela de estai pode ser arriada somente pelo seu próprio peso quando se afrouxa a adriça mas, em situação de ventos fortes, é necessária a carregadeira de arriar para se conseguir dominar a vela e mantê-la dentro do navio.

As escotas das velas de estai estão representadas a verde.

 

Foto 5: Amantilhos (Topping Lifts)

5-Amantilhos (1).jpg

Os amantilhos (Cabo, teque, talha ou corrente encapelado no lais de uma lança, pau de carga, pau de surriola, pau de spinnaker, carangueja, verga ou retranca, aguentando-o e servindo para movimentá-lo no sentido vertical. Toma o nome da peça que sustenta), equilibram a verga verticalmente.

As suas funções são:

  • Permitir que o vento "encha" a vela de uma forma igual, aproveitando ao máximo a força do vento;
  • Evitar que a verga fique desequilibrada com o peso dos marinheiros que se encontram na manobra de rizar, abafar ou ferrar pano;
  • Adaptar o equilíbrio quando o navio balança com os ventos.

Os amantilhos estão sempre aos pares, um por cada bordo. Ligam-se aos lais das vergas e são levados ao longo do braço da verga, através de um bloco preso ao mastro até ao convés, onde aducham na escoteira do mastro.

Os amantilhos das vergas superiores dos modernos navios escola estão fixos nas vergas que são içadas e arriadas. Quando arriadas, ficam “penduradas” nas cremalheiras. Quando içadas e com velas envergadas, os amantilhos ficam soltos por ante a vante das velas.

 

(continua)

 

Um abraço e…

Bons Ventos