Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

29.12.19

56 - Modelismo Naval 7.32 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 8"


marearte

 

ib-04.1.jpg

Caros amigos

  (Conclusão)

 

VENTO: Definição, Formação e Importância

O vento é uma força natural que resulta das variações de temperatura da atmosfera. Ocorre quando duas massas de ar de densidades diferentes (pressões diferentes) interagem. Os raios solares aquecem a terra, o ar e o mar (que representa mais de 70% da superfície planetária) de forma desigual. O ar quente fica mais leve e sobe, podendo atingir até 10 mil metros de altitude. Aparece um fluxo da região da maior pressão para a região de menor pressão, até estabilizar provisoriamente as pressões entre essas regiões. Esse é o processo inicial de formação dos ventos que também sofre a influência da rotação da Terra, humidade do ar, relevo e evaporação. A intensidade e direção do vento mudam a cada instante (a inconstância, é uma das características dos elementos da natureza).

 

Meteo.png

Por convenção, o vento recebe o nome de onde vem (vento leste, sul, etc). 

O VENTO REAL é aquele que percebemos quando estamos parados. Porém, quando nos deslocamos,

VENTO REAL combina-se com a nossa velocidade e direção, formando

VENTO APARENTE que é o mais importante para os cálculos de navegação e aerodinâmica, assim como para o ajuste das velas de uma embarcação.

Dependendo das condições atmosféricas em determinado local e hora, o vento real terá uma determinada direção e velocidade, que pode ir desde a sua total ausência até velocidades que podem atingir centenas de Km/h.

Os veleiros usam a força eólica como propulsora para as velas. Sem vento, os veleiros não progridem mas com vento acima de determinadas velocidades, torna-se impossível a navegação.

Escala de Beaufort classifica a intensidade dos ventos, tendo em conta a sua velocidade e os efeitos resultantes das ventanias no mar e em terra. Foi concebida pelo meteorologista anglo-irlandês Francis Beaufort no início do século XIX. Na década de 1830, a escala de Beaufort já era amplamente utilizada pela Marinha Real Britânica

A partir dos 118km/h – Furacão na escala de Beaufort – existem outras duas escalas para estes ventos superiores: a Escala de furacões de Saffir-Simpson (EUA) e a Escala Fujita (Japão).

No quadro abaixo estão referenciados os diferentes graus que vão do 0 (calmo) ao 4 (brisa moderada), situação em que o navio pode navegar com todo o pano, (incluindo velas auxiliares se necessário) tendo em atenção a necessidade de ferrar as velas superiores na medida em que o vento se aproxime do grau 5 (brisa forte).

Dos graus 5 (brisa forte) ao grau 9 (ventania forte) as velas devem ser ferradas dentro de um determinado esquema até ao navio ficar reduzido a 3 velas – “de capa”.

Do grau 10 (tempestade) ao grau 12 (furacão) deve-se navegar em “folha seca” correndo com o tempo e procurar abrigo em alguma enseada ou porto.

Escala Beaufort'

Grau

Designação

m/s

km/h

nós

Aspeto do mar

0

Calmo

<0,3

<1

<1

Espelhado

1

Aragem

0,3 a 1,5

1 a 5

1 a 3

Pequenas rugas na superfície do mar

2

Brisa leve

1,6 a 3,3

6 a 11

4 a 6

Ligeira ondulação sem rebentação

3

Brisa fraca

3,4 a 5,4

12 a 19

7 a 10

Ondulação até 60 cm, com alguns carneiros

4

Brisa moderada

5,5 a 7,9

20 a 28

11 a 16

Ondulação até 1 m, carneiros frequentes

5

Brisa forte

8 a 10,7

29 a 38

17 a 21

Ondulação até 2.5 m, com cristas e muitos carneiros

6

Vento fresco

10,8 a 13,8

39 a 49

22 a 27

Ondas grandes até 3.5 m; borrifos

7

Vento forte

13,9 a 17,1

50 a 61

28 a 33

Mar revolto até 4.5 m com espuma e borrifos

8

Ventania

17,2 a 20,7

62 a 74

34 a 40

Mar revolto até 5 m com rebentação e faixas de espuma

9

Ventania forte

20,8 a 24,4

75 a 88

41 a 47

Mar revolto até 7 m; visibilidade precária

10

Tempestade

24,5 a 28,4

89 a 102

48 a 55

Mar revolto até 9 m; superfície do mar branca

11

Tempestade violenta

28,5 a 32,6

103 a 117

56 a 63

Mar revolto até 11 m; pequenos navios sobem nas vagas

12

Furacão

>32,7

>118

>64

Mar todo de espuma, com até 14 m; visibilidade nula

 

Sem dúvida que já existem há bastante tempo barómetros e anemómetros que dão estas leituras mas, estou em crer que a maioria dos capitães e comandantes de veleiros comerciais ou de linha dos séculos passados baseavam-se no seu conhecimento prático para tomarem as decisões de navegação pertinentes para cada uma das situações que enfrentavam.

De qualquer forma, as normas que existem para redução do pano dos navios conforme os ventos, servem como tal e estão baseadas na prática. São normalmente cumpridas incluindo a sequência de abafar e ferrar as diferentes velas. No entanto, a sensibilidade dos capitães é que conta para determinar estas manobras – a sua oportunidade e a sequência.

Estas normas são as que se apresentam a seguir.

 

Desenho 10

 

As Velas e as Diferentes Forças do Vento

 

Ventos e Velas.jpg

 

Ventos de Força 0 a 4

Nesta configuração, com estes ventos de “calmo” a “brisa moderada” podem-se usar todas as velas do navio, incluindo as velas auxiliares “varredouras”, “cutelos” e “cutelinhos”, tendo o cuidado de ir ferrando as velas mais superiores, na medida em que o vento aumente de intensidade em direção à força 5.

 

Ventos até Força 5 – “Aparelho de Joanete”

Ventos 5.jpg

Nesta configuração podem-se empregar todas as velas com exceção do sobrinho, do sobrejoanete grande, do sobrejoanete da proa, da sobregatinha e da giba. Navega-se com “Aparelho de Joanete”.

 

Ventos até Força 6 – “Aparelho de Gávea Alta”

Ventos 6.jpg

Nesta configuração não são utilizadas as seguintes velas: sobrinho, sobrejoanetes, sobregatinha, joanetes, sobregata, giba, estai do sobrejoanete grande, estai do joanete grande e estai da sobregata. Navega-se com “Aparelho de Gávea Alta”.

 

Ventos até Força 7 – “Aparelho de Gávea Baixa”

Ventos 7.jpg

Nesta configuração, utilizam-se apenas as seguintes velas: velacho alto, velacho baixo, traquete, gávea alta, gávea baixa, gata, bujarrona baixa, estai do velacho, estai da gávea e estai da gata. Navega-se com “Aparelho de Gávea Baixa”.

 

Ventos até Força 8

 

Ventos 8.jpg

Nesta configuração, utilizam-se apenas as seguintes velas: velacho baixo, traquete, gávea baixa e estai do velacho. Não existe um nome específico que defina esta configuração de pano.

 

Ventos até Força 9 – “À Capa”

Ventos 9.jpgNesta configuração, utilizam-se apenas as seguintes velas: gávea baixa, estai do velacho e vela de capa. Navega-se, então, “À Capa”. O pano poderá ser ainda mais reduzido.

 

Vento Força 10 ou acima – “Árvore Seca”

Navega-se em “Árvore Seca”, ou seja, sem qualquer vela. Reduz-se ao máximo o pano, podendo ficar apenas com uma pequena vela, carregando-se o leme a sotavento ou a barlavento, de modo a conservar o navio o máximo chegado ao vento e com muito pouco seguimento. Nestas circunstâncias, o abatimento será grande. A capa pode ser “seguida”, caso haja seguimento suficiente para governar, ou “morta”, em caso contrário.

Conforme o estado do mar, o navio pode não se levantar sobre a vaga – “adormecendo” (não se levantando) – ou mesmo soçobrar. Neste caso, desfaz-se a capa e foge-se ao tempo com vento pela popa até que a situação melhore. A esta manobra chama-se “correr com o tempo”.

Mesmo com as velas todas ferradas, com vento de popa, dependendo da sua intensidade, é possível obter seguimento suficiente para governar o navio pois este, neste caso, é propulsionado apenas pela acção do vento no arvoredo. Pode-se concluir que, uma vez correndo com o tempo, muito provavelmente o navio estará a navegar em “Árvore Seca”.

 

 =======================================================

Todas as velas dos navios são necessárias e importantes para uma boa navegação mas algumas são mais importantes do que outras.

Entre as mais importantes encontra-se a Vela de Ré/Vela de Mezena/Grande Latino (Spanker/Driver) que, pela sua complexidade no que diz respeito à manobra e à sua correta utilização, merece uma análise mais aprofundada.

Todos os manuais sobre o aparelho dos navios à vela dedicam a esta vela algumas páginas sobre o desenho, confecção e manobra da Vela de Ré.

 

Desenho 11

 

A Vela de Ré

Vela de Ré.jpg

 

  • Vela de Ré Fixa (Standing Spanker/Driver) – Velas dos mastros Grande e Mezena, nos navios de 3 mastros. Embora exista no mastro Grande, normalmente neste mastro não tem retranca. Articulam-se com os mastros através de uma engrenagem chamada de “Mangual e Cachimbo” que, embora se encontre fixa no mastro permite uma articulação de 360o tanto da Carangueja como da Retranca. É uma “Vela Latina Quadrangular” – “Grande Latino” – (ver Desenho 11) tomando o lado que enverga no mastro (o mais vertical) o nome de “Testa” o superior de “Gurutil”, o inferior de “Esteira” e o que diz para a ré de “Valuma”. Estas velas são colhidas com carregadeiras, de encontro ao mastro.

 

  • Vela de Mezena (Carangueja) de Içar e Arriar (Hoisting Spanker/Driver) – Com características semelhantes à anterior, a diferença reside no modo de articulação da Carangueja e da Retranca com o mastro que, neste caso, se efetua através de “Bocas de Lobo” (embora apareçam bastantes exemplos de um Carangueja articulada com “Boca de Lobo” e de uma Retranca com “Mangual e Cachimbo”). Neste caso, a Carangueja pode ser içada e arriada correndo a Boca de Lobo sobre o mastro ficando “carrilada” com o auxílio de um conjunto de bolas que estão ligadas em arco à Boca de Lobo e abraçam o mastro – o “enxertário” – permitindo assim a sua subida e descida enfileirada com o mastro. Estas velas são colhidas descendo a Carangueja de encontro à Retranca.

Nota: Embora pareça haver uma distinção entre Vela de Ré (Spanker) e Vela da Mezena (Driver), (também conhecido por “Grande Latino”) esta distinção é muito subtil e raramente parece ser seguida. Na literatura da especialidade, é referida como tecnicamente correta mas, na prática, a maioria dos especialistas não lhe liga muita importância. Chega saber que existe.

 

  • Carangueja (Gaff) – Verga que trabalha encaixada por ante a ré do mastro real, destinada a sustentar o gurutil de uma vela latina quadrangular. Tem na sua extremidade da vante uma boca de lobo que abraça o mastro que permite o jogo total da verga. O lais da carangueja é chamado de penol, lais da pena ou pique. A parte entre o penol e a boca de lobo, que é a haste da verga, chama-se pena. As caranguejas podem ser de arriar ou fixas. A primeira tem duas adriças: da boca, que pega na boca de lobo e a do pique, passada no terço do penol da verga. Nos mastros de muita palha as caranguejas sobem o longo de uma vara chamada “frade ou fuso(Sail Track/Tramway/Railway). Nos navios à vela de arte redonda, com quatro mastros, as caranguejas são chamadas do traquete redondo, do latino grande, da mezena e da contramezena. Nos navios atuais, a carangueja do mastro mais à ré serve para passar no seu penol a adriça da bandeira nacional que é envergada com o navio em marcha.

 

  • Retranca (Boom) – Verga que serve para manter esticada a esteira da vela latina. Situa-se por ante a ré do mastro, com o qual se articula por meio de um garlindéu ou de mangual com cachimbo, podendo movimentar-se para ambos os bordos e para baixo e para cima. As velas latinas triangulares de proa podem ter na esteira uma retranca para auxiliar a manobra de caçar e “cambar” (manobra de mudar de bordo) (To gybe). Na retranca, é passada a escota que manobra a vela. A retranca toma o nome da vela onde trabalha.

 

1 – Adriça de Sinais (Signal Halliard) – Adriça que serve para içar sinais e a bandeira nacional quando o navio em movimento.

 

2 – Carregadeira (Inhaul) – Cada um dos cabos que carregam as velas latinas e os cutelos. Tomam o nome do lugar da vela em que trabalham. No Traquete e Grande Latino há, a contar de cima: carregadeira da pena, do meio da saia e do punho da escota que correspondem às carregadeiras usadas quando a vela é envergada em aros ou garrunchos.

 

3 – Cabos de Alar para Fora (Outhaul) – Cabos de manobra que impunem no punho da pena e no punho da escota e servem para reforçar a tensão da vela.

 

4 – Escotas e Moitões duplos (Sheets and Double Blocks) – Cabos de laborar que se prendem nos punhos das velas que servem (neste caso na própria retranca) para caçar e folgar os panos. Trabalham em moitões de 2 gornes.

 

5 – Vergueiro Metálico do Pano (Iron Jackstay) – Tubo metálico, solidamente chumbado por ante a ré do mastro, que serve para envergar a testa da vela.

 

6 – Braçadeiras com Mangual e Cachimbo (Gooseneck) – Braçadeiras metálicas (pode ser só uma, mais grossa) onde estão fixos os cachimbos dos conjuntos de articulação da Carangueja e da Retranca e onde encaixam os manguais destas vergas, permitindo uma movimentação das mesmas lateral e verticalmente.

 

7 – Carregadeira para um Moitão ligado ao mastro, por debaixo do Mangual e Cachimbo da carangueja (Inhaul to a Block at the Gooseneck) (Ver nº 2) Nas manobras de caçar o pano do Grande Latino serve para trazer junto ao mastro o punho da pena.

 

8 – Carregadeiras (para o mastro) (Brails) (Ver nº 2) Garrunchos por onde passam as carregadeiras da pena, do meio da saia e do punho da escota que trabalham em moitões fixos ante a ré do mastro na manobra de caçar o pano do Grande Latino.

 

9 – Cabos de Retenção (Guys) – Cabos que servem para manter fixa no local a retranca, trabalhando um por cada um dos bordos.

 

10 – Garrunchos Metálicos ou em Corda para prender a Vela (Iron or Rope Hanks to Sail) – Ilhoses de corda ou metálicos por onde a testa da vela é cosida ao vergueiro do pano.

 

11 – Cabos Esticadores do Penol da Carangueja (Gaff Span) – Entre o Penol da Carangueja e o Lais da Retranca – Cabo fixo que trabalha entre o penol da Carangueja e o lais da Retranca e que serve para manter a unidade do conjunto.

11a - Cabo Esticador do Penol da Carangueja (Gaff Span) – Entre o Penol da Carangueja e o Mastro da Mezena – Cabo fixo estendido entre o penol da Carangueja e um moitão fixado na zona inferior dos curvatões do mastaréu de joanete.

 

12 – Braçadeira para fixação de cabos da Retranca (5 pontos de fixação) (Single Band) – Braçadeira fixa no lais da retranca com 5 fixações onde cosem duas escotas duplas, o cabo esticador do penol da carangueja e dois cabos de retenção da retranca.

 

13 – Adriças (duplas) do penol da carangueja (Halliards to Cap & Doubling) – Adriças que serviam para suspender a carangueja trabalhando uma no penol e outra no terço da mesma e as duas em conjunto com a adriça da boca da carangueja.

 

14 – Guardins (Vangs) – dois cabos fixos que aguentam a Carangueja para cada um dos bordos.

 

15 – Vergueiro em madeira no lado inferior da carangueja (Wooden Jackstay bellow gaff) – Vergueiro em madeira (pode ser metálico) existente na parte inferior da Carangueja e que serve para suspender a vela ligada à verga…

ou

16 – A Vela fica suspensa diretamente da Carangueja (Laced to Gaff direct) – Neste sistema a vela fica suspensa diretamente da verga através de laçadas na mesma.

 

17 – Cadernal de 2 ou 3 gornes para a adriça da Boca da Carangueja (Throat Halliard) – Adriça que usava um cadernal com vários gornes donde se encontrava suspensa a Carangueja, que estava chumbado junto da Boca de Lobo e que suportava toda a carga para içar ou arriar a carangueja trabalhando em conjunto com as adriças do penol e do terço da carangueja.

 

18 – Boca de Lobo da Carangueja e Enxertário (Throat & Parral) – Encaixe da carangueja no mastro da mezena, aguentado nessa posição por um conjunto de esferas por onde passa um cabo (normalmente metálico) – o enxertário – que se destina a manter a boca de lobo abraçada ao mastro nos seus movimentos de içar e arrear a carangueja.

 

19 – Garrunchos para a Talha de Rizes (Reef Tackle Cringle) – Estes dois garrunchos servem para neles ser ligada um aparelho de força que facilita o alar da vela a fim de poder ser rizada. A sua localização coincide com as forras de rizes.

 

20 – Garrunchos para Empunidouros de Latino (Reef Pendant Cringle) – Os empunidouros são cabos delgados, fixos nos garrunchos dos punhos do gurutil e das forras dos rizes das velas redondas bem como nos punhos da pena e da boca dos latinos quadrangulares e que servem para fixar as velas aos laises das vergas quando se enverga ou riza o pano.

 

21 – Amantilhos (em Corrente Metálica) que ligam a Aparelhos de Força que se encontram por debaixo dos Curvatôes do Mastro da Mezena (Topping Lifts to Blocks under Trestle Trees) – Cabo, teque, talha ou corrente encapelado no lais de uma lança, pau de carga, pau de surriola, pau de spinnaker, carangueja, verga ou retranca aguentando-o e servindo para o movimentar no sentido vertical.

 

22 – Cunhos Metálicos, em cada lado da Retranca, onde ligam os Empunidouros dos Rizes (Cleats each side for Reef Pendants) – Cunhos em metal para passar os cabos de empunidouro dos rizes

 

23 – Cadernais das Escotas (2 ou 3 Gornes) (Sheets) – São peças onde trabalham as escotas, ligadas diretamente à retranca, que permitem um ajustamento fino da mareação desta vela.

 

24 – Andorinhos da Retranca (em cada um dos bordos) (Boom Guys each side) – Cabos suspensos do pau de surriola ou da retranca, munidos de sapatilhos e que servem para se poder amarrar neles pequenas embarcações.

 

25 – Boca de Lobo ou Mangual e Cachimbo da Retranca (Throat or Gooseneck) – A retranca, nesta composição de Içar e Arriar pode ser de boca de lobo ou de mangual e cachimbo já que a mobilidade desta peça não é muita. Na manobra de içar e arriar a peça que se desloca é a carangueja.

 

26 – Forra em Cabedal (com Boca de Lobo) (Leather) – Forra existente no mastro da Mezena, por altura do contato da boca de lobo com o mastro que se destina a proteger ambas as peças do desgaste. Normalmente o material usado é o cabedal, mas pode ser outro tipo de material de proteção.

 

 =======================================================

Aqui termina esta série de verbetes do “Glossário de Termos Náuticos” dedicada aos Grandes Veleiros.

No total forma publicados os seguintes Posts:

33 em 08/09/2018 – “Termos Básicos de Náutica” e “Dos Mastros dos Grandes Veleiros”;

34 em 15/10/2018 – “Diagrama do Plano Velico de um Clipper dos Anos 1860’s (dos mastros e de outras partes dos navios)” e “Das Vergas dos Grandes Veleiros”;

51 em 03/10/2019 – “O Gurupés dos Grandes Veleiros” e “A Andaina dos Grandes Veleiros”;

52 em 21/11/2019 – “As Diferentes Partes da Velas dos Grandes Veleiros- 1”;

53 em 22/11/2019 –  “As Diferentes Partes da Velas dos Grandes Veleiros- 2”;

54 em 10/12/2019 – “O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros”;

55 em 10/12/2019 – “O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros - continuação” e ; “O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros - A”;

56 em 29/12/2019 – “As Velas e as Diferentes Forças do Vento” e “A Vela de Ré”;

 

 

Para a feitura dos verbetes que constam nesta série do "Glossário" foi consultada a seguinte bibliografia:

1 - "Tratado Prático do Aparelho dos Navios para uso da Companhia e Real Academia dos Guardas Marinha"; PEREIRA DE MELO, Fontes Pereira; Lisboa; 1836.

2 - "Tratado do Aparelho do Navio - com indicações práticas sobre o corte e fabrico das velas, manobras de mastaréus e vergas, embarcações de pequeno lote e miúdas, manobra das âncoras e amarras, avarias, reboques, etc"; BANDEIRA, João de Sousa (tenente da Armada); Lisboa; 1896.

3 - "The Elements and Pratice of Rigging and Seamanship"; STEEL, David; London; 1794.

4 - "Textbook of Seamanship"LUCE, S.B. (US Navy); New York; 1891.

5 - "Dicionário do Mar"; CHERQUES, Sérgio; S.Paulo; 1999.

6 - "English-Portuguese, Comprehensive Technical Dicionary"; SELL, Lewis L.; S. Paulo; 1953.

7 - "Dictionary of Naval Terms -English/Portuguese"; ESPARTEIRO, António Marques (captain); Lisboa; 1974.

8 - "Dicionário de Marinha - Português/Inglês"; ESPARTEIRO, António Marques (comandante); Lisboa; 1975.

9 - Para os Posts nºs 54 e 55 sobre o "Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros"  foi usada informação constante no site "Jans-sajt.se", acedido em 05/12/2019.

Um Abraço, Bom 2020 e …

Bons Ventos

10.12.19

55 - Modelismo Naval 7.31 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 7"


marearte

ib-04.1.jpg

Caros amigos

(continuação)

 

Desenho 9

O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros -1

As fotos do “Sagres II” que figuram neste post, foram “pedidas emprestadas” ao site “Jans-sajt.se”. Os meus agradecimentos.

Desenho 9.jpg

 

 

Foto 6: Braços (Braces)

6-Braços (1).jpg

Os braços (Cabos aguentados nos laises das vergas redondas e que servem para movê-los horizontalmente, aguentando-os para a ré. Cada verga tem dois) servem para virar as velas ao vento colocando as vergas de forma a “apanharem” o vento da melhor forma tirando o melhor partido da sua acção sobre as velas.

Os braços estão sempre aos pares (um para BB e outro para EB). Estes cabos saem dos laises das vergas em direção ao mastro, descendo para o convés, após passarem por um sistema de roldanas que está ligado ao mastro atrás (ante a ré)), a fim ter bastante efeito de força de alavanca. Vão morar nas mesas de malaguetas que ficam na amurada.

No caso das galeras, que têm velas redondas nos três mastros, onde o mastro da gata não tem qualquer outro mastro ante a ré, o sistema de roldanas/alavanca é feito com o mastro grande que lhe fica por ante a vante.

Os braços dos modernos veleiros não são manobrados manualmente mas sim por guinchos elétricos.

 

Foto 7: Escotas (Sheets) e Amuras (Tacks)

7-Escotas e Amuras (1).jpg

As escotas (Cabo de laborar que se prende no punho das velas – punho da escota – e que serve para caçar e folgar os panos. Nas velas redondas há uma escota por bordo e nas latinas, apenas uma. As grandes velas de proa têm, para facilitar a manobra, uma escota com duas pernas: uma trabalha caçando o pano por sotavento enquanto a outra perna, de barlavento, vai folgada) são importantes para manter as velas tesadas no vento. Os cantos inferiores das velas (os punhos) são os pontos donde saem as escotas e os estingues. Quando as escotas estão tensas, os estingues estão folgados e vice-versa.

As escotas das velas redondas são sempre aos pares uma por BB e outra por EB. Conduzem do punho da vela para baixo em direção da verga inferior seguinte ou diretamente para o convés. Na sua maior parte, as escotas são aduchadas nas escoteiras junto aos mastros.

Somente as velas redondas mais baixas (os papa figos) são diferentes: Têm as escotas que conduzem para a ré e as amuras (Cabos com que se prende o punho de barlavento dos papa figos que conduzem para a ré), para permitir que estas velas balancem horizontalmente à volta do mastro fixando a vela numa determinada posição; as amuras dos papa figos estendem-se, por uma longa distância, ao longo do convés. As escotas suportam a parte de leão do esforço de tração, sendo as amuras também chamadas de "amuras preguiçosos ", porque a sua função principal é manter as vergas nos lugares. As escotas e as amuras dos papa figos passam através de buracos na amurada nos lados do navio em direção ás mesas de malaguetas.

 

Foto 8: Estingues (Clewlines/Cluelines)

8-Estingues (1).jpg

Estingues (Cada um dos cabos fixos nos punhos das escotas das velas redondas, que serve para colhê-las para os terços, como faina preliminar antes de ferrar o pano. Cada vela tem dois estingues, que podem ser singelos ou dobrados. Var. estinque, ostingue), são as contrapartes das escotas, usados para transportar os punhos das velas até às vergas. Esta é a pré-condição para abafar o pano com os brióis e com as valumas.

Uma exceção em veleiros mais modernos é a verga da vela da gávea alta. Aqui, o estingue é chamado de carregadeira pois esta vela é arriada em conjunto com a verga o que leva a verga para junto dos punhos e não os punhos para junto dos terços da verga.

Os estingues estão sempre em pares para BB e EB. Eles saem do punho da vela até ao braço da verga, de lá para o meio da verga, onde passam em moitões alceados em direção ao convés, ficando alojados em malaguetas na escoteira dos mastros ou nas mesas das malaguetas junto à amurada. Qualquer destes “arranjos” pode ser encontrado, dependendo do navio e do espaço disponível.

Os estingues muitas vezes estão dispostos junto com os brióis, nas mesas de malaguetas, pois ambos são usados para tomar velas para dentro. Mas no "Sagres II" por exemplo, os estingues estão aduchados como "pares opostos" (da mesma vela, como BB e EB) com os cabos de cada uma das  velas usando duas malaguetas contiguas na escoteira dos mastros.

 

Desenho 9.1

O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros – 2

Na legenda da foto 9 deste desenho, onde se lê “Valuma” deve ler-se “Apaga”

Desenho 9.1.jpg

 

 Foto 9: Brióis (Buntlines) e Apagas (Leech lines)

9-Brióis e Valumas (1).jpg

Os Brióis (Cada um dos cabos costurados na esteira das velas de papa-figos e gáveas, para carregar o pano de encontro à verga. Os papa-figos têm quatro e as gáveas têm dois brióis), e que servem, na faina de ferrar as velas, para elevar a esteira da vela até ao nível da verga permitindo aos marinheiros que se encontram nas vergas, abafar o pano mais facilmente e ferrá-lo contra as mesmas.

Os brióis estão sempre em pares de 2, 4 ou 6 simetricamente para BB e EB; às vezes existe um briol centrado na esteira da vela. A sua função é suspender a vela levando a sua esteira até junto da verga, onde é ferrada com as bichas que se usam para abafar as velas.

Estes cabos partem da esteira das velas em direção às vergas onde mudam o sentido, para os terços da verga onde, através de moitões, convergem em direção do convés até às mesas de malaguetas da amurada; os brióis das velas superiores passam pelas claras dos cestos da gávea. O seu percurso descendente é quase paralelo ao dos brandais.

Apagas (Cada um dos cabos de laborar que servem para carregar as testas das velas dos papa-figos ou seja, para prolongar as testas das velas com o gurutil. Cada vela tem, em geral, duas apagas. Nas gáveas tomam o nome de sergideiras. Os joanetes e sobres não têm apagas), são um subtipo de brióis que levam as testas das velas redondas para a verga, obliquamente, para facilitar o ferrar das mesmas.

 

 Foto 10: Bolinas (Bowlines)

10-Bolinas (1).jpg

As Bolinas (Cabo que se fixa no amante e poa das testas dos papa-figos, gáveas e joanetes para, nos ventos de través para a proa, chamar para a vante o mais possível a testa de barlavento, para que não fique branda e o vento não tenha acção por ante a vante da vela. A bolina de sotavento vai folgada. Cada vela redonda, exceto o sobre, tem duas bolinas), sempre em pares para BB e EB foram usadas até c.1850, nos antigos veleiros. Estes cabos de manobra, com o advento das velas de gávea duplas, para evitar as velas de grandes dimensões difíceis e perigosas para manobrar e o aparecimento das fragatas das marinhas de guerra e dos “clippers” das marinhas mercantes, saíram de uso.

Embora exista pouca documentação sobre as bolinas, as velas antigas eram muito mais ”ventrudas” do que as velas que conhecemos hoje e eram manobradas de um modo diferente. Não podiam ser braceadas de uma forma tão afinada como se pode fazer hoje por muitas razões, a bolina ajudou a compensar esse limite, facilitando a entrada do vento, mantendo a testa do lado do barlavento tesada para a proa e aberta para o vento - mais ou menos eficaz ... mas, na maioria dos casos, a bolina era um dos cabos menos eficazes de todo o equipamento.

Quando as bolinas deixaram de ser usadas, a fotografia tinha acabado de ser inventada sendo ainda uma técnica imatura, e por isso não existem muitas fotos suficientemente claras para mostrar bolinas em ação. Embora o “Sagres II” não use bolinas, a sua imagem foi usada para desenhar uma possível localização de bolinas neste navio (desenhadas a amarelo).

As bolinas cosem nas velas que servem, em dois pequenos cabos que formam um pé de galinha mais ou menos a dois terços da altura da vela. Estes cabos ganham os nomes de amante da bolina (Cabo ligado à testa das velas redondas de papa-figo e joanetes que, com outro denominado poa, forma o pé de galinha da bolina das velas) o primeiro (por cima) e de poa o segundo (por baixo)

A bolina, como cabo de manobra, hoje em dia só tem interesse para historiadores e para modelistas. No entanto, o nome deste cabo ficou aliado a um dos nós mais usados em várias atividades, incluindo na marinha,  no montanhismo, nos escoteiros e outros, usa-se o nó de bolina para várias manobras e atividades. Este nó é hoje conhecido como “lais de guia” (engate de bolina, na navegação).

 

O Lugar dos Cabos de Laborar no "Sagres II"

Mesa de Malaguetas (1).jpgUma Mesa de Malaguetas do “Sagres II” onde são organizados os cabos de laborar, adriças, braços, amuras, brióis e por vezes estingues, neste caso do mastro grande.

 

Escoteira.jpg

 A Escoteira do Mastro Grande do “Sagres II” onde ficam “arrumados” os cabos de laborar das escotas, estingues e amantilhos, das velas do mesmo mastro

 

Isto é o que basicamente se pode dizer sobre os cabos de laborar de um grande veleiro.

 

(continua)

 

Um abraço e…

Bons Ventos

 

10.12.19

54 - Modelismo Naval 7.30 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 6"


marearte

ib-04.1.jpg

 

Caros amigos

(continuação)

 

O Aparelho Fixo e o de Laborar

Nos navios existem diferentes cabos que servem para manter os mastros fixos nas carlingas, manobrar as velas e para içar ou arriar outras partes móveis dos mesmos.

Com base nos desenhos 9 e 9.1 abaixo, que representam o aparelho fixo e o de manobra da barca Sagres II (o atual Navio Escola da Marinha de Guerra Portuguesa) e tendo em atenção os diferentes garrunchos existentes nas velas (que foram identificados nos verbetes dos desenhos 7 e 8), nestes verbetes caracterizam-se os diferentes cabos do aparelho fixo e do de laborar quanto à sua localização e função.

Desenho 9

O Aparelho Fixo e de Laborar dos Grandes Veleiros -1

As fotos do “Sagres II” que figuram neste post, foram “pedidas emprestadas” ao site “Jans-sajt.se”. Os meus agradecimentos.

Desenho 9.jpg

 

Aparelho Fixo

 

O aparelho fixo engloba todos os cabos no navio que estão fixos. Só existem dois tipos: os Estais e os Ovéns (onde estão incluídos os Brandais)

 

Foto 1: Estais (stays)

1-Estais (1).jpg

 

Os estais são cabos (a vermelho na foto),

(Cabo – conjunto torcido de fibras vegetais, sintéticas ou de fios de arame, formando uma corda que serve para prender, suspender, conter, rebocar, alar, caçar, arriar, etc., um objeto, uma peça do aparelho, outro cabo, aguentando esforços relativamente severos)

normalmente reforçados,

(Cabo alcatroado – cabo tratado com um banho de alcatrão para melhor resistir à humidade; Cabo armado – cabo de arame com madres de cabo de linho-cânhamo alcatroado; Cabo calabroteado – cabo formado por três ou mais cabos de massa torcidos)

com uma bitola relativamente elevada,

(Bitola – medida da grossura dos cabos que, nos cabos de arame, é usual a referência ser o diâmetro do cabo enquanto que nos cabos de fibra, salvo menção em contrário, a bitola refere-se ao perímetro da circunferência retificada do cabo. Em qualquer dos casos as medidas podem ser em milímetros ou em polegadas),

que se encontram encapelados nos calceses dos navios  de vela e que servem para sustentar os mastros para a vante tomando o nome do mastro ou da vela que sustentam.

As velas latinas de proa e de entre-mastros são envergadas em alguns destes estais.

Chamam-se:

Estais reais – os do traquete, do grande e da mezena (também chamado mastro da gata);

Estais de gávea – os do velacho, gávea e gata;

Estais de joanete – do joanete de proa, joanete grande e sobregata;

Estais de galope ou de sobre – do sobre de proa, sobre do grande e sobre gatinha;

Estais de proa – da giba, e da bujarrona.

Um outro tipo de estais são os que, do lado inferior do gurupés, o sustentam para a ré (ao contrário dos anteriores), fazendo fixe na proa do navio através de patarrazes. Contribuiem para o equilíbrio das diversas tensões que se exercem sobre o aparelho: 

Estais do gurupés – do galope do pau de giba e do pau de bujarrona.

 

Foto 2: Ovéns (shrouds) e Brandais (backstays)

2-Ovéns e Brandais (1).jpg

 

Os ovéns e os brandais são cabos que aguentam os mastros para os bordos dos navios.

  • Os ovéns formam a enxárcia dos mastros reais, ou dos mastaréus de gávea e do joanete (a vermelho junto aos mastros, formando um desenho triangular).

As enxárcias dos mastros reais e dos mastaréus de gávea, têm “enfrechates” que servem para dar consistência ao conjunto mas também para a tripulação poder subir aos mastros, e as dos joanetes não têm (existem exceções).

  • Os brandais fixos fazem parte do aparelho fixo do navio e tomam o nome do mastro ou mastaréu onde trabalham. Ao contrário destes brandais existem os brandais volantes que entram na categoria de aparelho de manobra, que têm ou não têm encapeladura (em caso de necessidade pode ser lançado um cabo extra que não se encontra previamente encapelado não fazendo parte do aparelho fixo), servindo para reforçar a sustentação do mastro e podem ser tesados a partir do convés, de acordo com o vento, tesando-se o brandal de barlavento (a vermelho junto aos mastros, formando um desenho de três linhas paralelas)

 

Aparelho de laborar (ou de manobra)

O aparelho de laborar ou de manobra, envolve todos os cabos e talhas usados para mover as velas nas várias manobras.

Embora existam muitos cabos montados nos grandes veleiros, necessários para o seu governo, os seus tipos por função, não são muitos. Encontram-se Adriças (Yard Halyards; Gaff Halyards; Staysail Halyards), Carregadeiras (Downhauls), Amantilhos (Topping Lifts), Braços (Braces), Escotas (Sheets), Amuras (Tacks), Estingues (Clewlines), Brióis (Buntlines), Apagas (Leechlines) e, já em desuso, Bolinas (Bowlines). Cada vela tem um número definido destes cabos e, no caso das velas redondas, eles são aos pares, um para bombordo e outro para estibordo. Quanto mais velas, mais cabos existem que têm de ser aduchados ordenadamente nas escoteiras e nas mesas de malaguetas, no convés.

É apenas confuso à primeira vista ...

As funções destes cabos são as seguintes:

 

Foto 3: Adriças das Vergas (Yard Halyards) e Adriças da Carangueja (Gaff Halyards)

3-Adriças Vergas e Adriças Carangueja (1).jpg

As adriças ou driças (Qualquer cabo singelo ou passado em aparelho de força, que serve para içar vela, verga, bandeira ou sinal. Toma o nome da coisa que iça) das vergas das velas redondas são usadas para içar ou arriar as vergas das velas superiores, a fim abaixar o ponto de gravidade, especialmente quando o navio enfrenta uma tempestade com vento forte. Com exceção das vergas inferiores dos antigos navios que usavam duas adriças, cada verga tem apenas uma adriça. Nos tempos antigos, todas as vergas das velas redondas eram içadas e arriadas desta forma. Aliás, todas as vergas tinham também um par de amantilhos (por BB e EB) para manter o equilíbrio das mesmas.

As vergas inferiores (a azul) são mais pesadas do que as vergas superiores (a vermelho) devido às suas dimensões. Assim, as suas adriças eram movidas por pesados blocos (talhas triplas - gin, triple tackle).

Algumas vergas superiores tinham uma talha dupla. Em navios antigos, as vergas inferiores (papa figos) também eram içadas e arriadas pelas tripas dos papa figos, (jeers) adriças muito grossas e pesadas que eram puxadas por um cabrestante. Nos grandes navios de primeira linha da marinha de guerra, eram usadas duas destas adriças para içar e arriar as vergas do traquete redondo e da vela grande.

As adriças das vergas superiores – adriça da gávea, adriça do joanete e adriça do sobrejoanete (topsail  halyard, topgallant sail halyard and royal halyard) são conduzidas até ao convés em paralelo aos brandais, e são aduchadas na mesa de malaguetas do mastro respetivo a BB e a EB. Por razões de simetria (para equalizar a distribuição por ambas as mesas de malaguetas), as adriças mais pesadas começam com o chicote a passar de um lado para cima, descendo pelo outro lado, onde gurnem numa peça de poleame mais ou menos pesada. Adriças mais leves levam diretamente da verga para a mesa de malaguetas do mesmo bordo.

Uma adriça de uma verga redonda é o equipamento do navio que aguenta maior força de tração. Suporta e movimenta toneladas de carga composta por:

  • A verga – Uma verga da vela grande tem cerca de 200 kg e o conjunto com a vela grande envergada, pode pesar até 6 toneladas!
  • A vela anexada – As velas de tempestade, de lona grossa, muito pesadas mesmo quando secas, podem igualmente pesar 1 tonelada.
  • Os marinheiros – Que fazem parte da faina pendurados no alto e de pé nos estribos da verga. São necessários mais de 10 homens para rizar, abafar ou ferrar uma vela redonda inferior.
  • O vento – Que tende a empurrar a vela para fora do mastro exercendo uma grande tração.

Nos grandes veleiros de transporte de carga (desde 1850), as velas das vergas inferiores, que usavam manobras de diminuição do pano deixaram de ter bolinas e de ser içadas e arriadas. As vergas foram fixadas com uma cremalheira (rack) ao mastro, permitindo-lhes apenas balançar horizontalmente com os braços. Ao mesmo tempo, deixaram de ter adriças.

Nos veleiros da classe "Mir", o chamado Choren-Rigging eliminou todas as adriças das vergas. Todas as vergas estão colocadas em aparelhos fixos aos mastros e são de material resistente, mas mais leve.

Sendo o navio “Sagres” uma barca, o mastro da mezena é de aparelho latino e, além da vela de ré dupla está aparelhado com outra vela latina chamada de gafetope (gaff topsail). Assim, neste mastro existem dois tipos de adriças: a adriça da pena (peak halyard) e a adriça da boca (throat halyard). Nas barcas modernas, as velas de gafetope da mezena estão penduradas em engrenagens fixas. Mas em escunas, as velas de gafetope ainda são içadas e arriadas com adriças.

  

Foto 4: Adriças das Velas de Estai (Staysail Halyards) e Carregadeiras de Arriar (Downhauls)

 4-Adriças Velas Estai e Carregadeiras de Arriar (1).jpg

Uma adriça das velas de estai (a amarelo) iça estas velas ao longo do estai. Esta adriça carrega o peso da vela e da força do vento.

A contraparte da adriça da vela de estai é a carregadeira de arriar (Cada um dos cabos que carregam as velas latinas e os cutelos. Tomam o nome do lugar da vela onde trabalham; carregarAbafar panos por meio de cabos que nos latinos se chamam carregadeiras e nos panos redondos, brióis, sergideiras, apagas e estingues) – a azul. A vela de estai pode ser arriada somente pelo seu próprio peso quando se afrouxa a adriça mas, em situação de ventos fortes, é necessária a carregadeira de arriar para se conseguir dominar a vela e mantê-la dentro do navio.

As escotas das velas de estai estão representadas a verde.

 

Foto 5: Amantilhos (Topping Lifts)

5-Amantilhos (1).jpg

Os amantilhos (Cabo, teque, talha ou corrente encapelado no lais de uma lança, pau de carga, pau de surriola, pau de spinnaker, carangueja, verga ou retranca, aguentando-o e servindo para movimentá-lo no sentido vertical. Toma o nome da peça que sustenta), equilibram a verga verticalmente.

As suas funções são:

  • Permitir que o vento "encha" a vela de uma forma igual, aproveitando ao máximo a força do vento;
  • Evitar que a verga fique desequilibrada com o peso dos marinheiros que se encontram na manobra de rizar, abafar ou ferrar pano;
  • Adaptar o equilíbrio quando o navio balança com os ventos.

Os amantilhos estão sempre aos pares, um por cada bordo. Ligam-se aos lais das vergas e são levados ao longo do braço da verga, através de um bloco preso ao mastro até ao convés, onde aducham na escoteira do mastro.

Os amantilhos das vergas superiores dos modernos navios escola estão fixos nas vergas que são içadas e arriadas. Quando arriadas, ficam “penduradas” nas cremalheiras. Quando içadas e com velas envergadas, os amantilhos ficam soltos por ante a vante das velas.

 

(continua)

 

Um abraço e…

Bons Ventos