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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

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Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

22.11.19

53 - Modelismo Naval 7.29 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 5"


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Caros amigos

(continuação)

Desenho e fabrico das velas

 Fabrico das velas

É necessário um grande número de velas para um navio armado em galera, com aparelho completo, tipo “Clipper”.

Um dos edifícios que existia num estaleiro de fabrico de velas era normalmente montado como uma “sala de risco” (Local, no estaleiro de construção naval, onde é traçado em escala natural, o plano de linhas do navio e confecionados os moldes das peças e os planos de corte das chapas), que, neste caso, servia para o desenho em tamanho real e o fabrico das velas.

As velas de um Clipper eram confecionadas, cortadas e cosidas manualmente da maneira tradicional pelos fabricantes de velas mas o projeto das velas era desenhado por um arquiteto naval. Os fabricantes de velas também calculavam o “aluamento” (draft) e o “bolso” (belly of sail) da vela corretos, quando fosse o caso.

Era feito um rascunho da vela usando faixas de lona, algumas mais estreitas em alguns lugares. Era preciso experiência e habilidade para criar o rascunho correto. Os materiais tradicionais para o fabrico das velas eram lonas (de várias gramagens, de linho, de algodão, de manilha (musa textilis) e de cânhamo),fio de vela e o fio de carreta, com os quais se cosiam as velas, também eram feitos com materiais naturais. Ainda hoje existem fabricantes de velas que usam estes materiais na confeção de velas para réplicas de veleiros históricos ou para o restauro de originais, penso que na zona da Bretanha e na Escócia.

Materiais e ferramentas

Como já foi dito é necessária um edifício com uma sala nivelada e também uma grande mesa plana para assentar a vela. O pano de vela (Lona: tecido de linho, algodão ou outros materiais têxteis de que se fazem velas, toldos, sanefas, capas, etc., que se classificam de 00 as mais pesadas e resistentes até 12 as mais leves e de menor resistência. Denominam-se de lona as números 1 e 2, de meia-lona as números 3 e 4 e brim as números 5 e 6) de que são feitas as velas é fornecido em rolo ou em tiras com aproximadamente 60 cm de largura. Essas tiras são dispostas na mesa ou no chão, onde são marcadas e cortadas à medida. Para marcar, o veleiro usa uma fita métrica, esquadro T e lápis. O pano de vela é cortado com uma faca afiada.

Uma ferramenta útil para o fabricante de velas é o “banco de veleiro” (sailmaker’s bench). Obviamente, o banco é destinado a sentar-se durante o trabalho, mas também serve para armazenar ferramentas e materiais de maneira prática, para que tudo esteja à mão. O banco de um veleiro contém o “repuxo” (sailmaker’s palm) (Tira de couro ou lona que se coloca na mão direita ou esquerda, saindo o dedo polegar por um furo nele existente e tendo na parte que fica sobre a palma da mão, um dedal chato e circular. É usado para coser tecidos grossos como a lona, servindo o dedal para empurrar a agulha), um “malhete em madeira” (wooden stock) e um pequeno “gancho” com uma ponta afiada”; este gancho destina-se a aplicar tensão à peça de trabalho durante a costura, o que facilita a mesma. O banco do veleiro tem um pequeno compartimento no qual o novelo de fio de vela é colocada para impedir que ele role e fique embaraçado.

Outras ferramentas manuais adicionais usadas por um veleiro são:

  • Agulha de vela (sail needle): Uma agulha forte com uma ponta triangular afiada,
  • Fio de vela (twine): Fio forte para costurar as velas, tralhas e ilhós.
  • Furador (awl): Para criar um buraco em tecido de vela pesado ou em várias camadas de tecido de vela.
  • Borracha de costura (seam-rubber): Um cabo de madeira com forte "escarificador", feito de pau-santo/pau-ferro (lignum vitae”, uma madeira tropical) para vincar bem as costuras nas bordas de um pano de vela.
  • Cunha ou Punção (fid): Um pedaço de pau-ferro em forma de cone para a emenda de cabos ou a abertura de orifícios na tela de vela. A cunha é inserida entre os fios de uma corda para criar espaço através do qual outra peça de cabo pode ser inserida. A cunha também pode ser inserida num buraco no pano de vela, para que o buraco fique maior.
  • Passador (marlin spike/ marlinespike): Um cabo de madeira com um pedaço de metal que se afunila até à ponta, na forma de furador e que possui uma cavidade que se destina a cortar cabos. O passador é inserido entre os fios de um cabo e um fio de outro cabo é inserido através da seção oca do passador.
  • Punção oco (hollow punch): Um pino de metal com um orifício numa extremidade com uma aresta afiada e uma face plana na extremidade oposta para que possa ser atingido com um martelo. Os punções ocos estão disponíveis em vários tamanhos e diâmetros para fazer orifícios pequenos e grandes.

 

Procedimento

O pano de vela é fornecido em tiras longas ou em rolo. As tiras são cortadas no comprimento correto com a ajuda de um desenho da vela e o aluamento necessário é aplicado. A melhor maneira é desenhar a parte externa da vela no chão ou em cima da mesa e, em seguida, colocar o rolo ou as tiras em cima para marcá-las.

As tiras são então costuradas juntas até obter uma forma provisoria da vela. Isto é seguido por uma série de acabamentos que dependem da forma, da localização e da função da vela. A borda externa da vela é dobrada numa bainha, e é reforçada com um cabo costurado normalmente com “ponto de palomba” ou “pelo redondo” ou “pela cocha”. Essa borda é conhecida como "tralha" (bolt rope). “Anéis” (loops) de cabo são cosidos à tralha e irão servir para ligar os cabos para manusear a vela. Ilhoses reforçados com anéis – de corda ou de metal – são colocados na vela para prendê-la à verga, para rizar a vela (amarrar a vela num ponto mais alto da mesma para reduzir a área da vela quando o vento sopra forte) e para prender os cabos de manobra.

 

Guia passo a passo para costurar uma vela

Uma vez medidas as tiras da vela, marcadas e cortadas, as mesmas são costuradas usando uma agulha reta. Para isso, os fabricantes de velas colocam 2 faixas parcialmente sobrepostas em 3 cm, por exemplo. Antes de costurar a costura completa, prendem as tiras pela zona da costura, primeiramente com um alinhavo a cada 50 cm. É usado um ponto reto para costurar: costura-se sempre no mesmo sentido e repete-se constantemente o mesmo ponto mantendo a distância entre eles. Se se é destro, trabalha-se da direita para a esquerda; se se é canhoto, vai-se da esquerda para a direita. O fabricante de velas senta-se no banco de veleiro com as tiras sobre a mesa.

Com uma grande quantidade de linha, dá-se um nó no final da linha e insere-se a outra extremidade na fenda da agulha. É necessário manter a costura plana em cima da mesa. Trabalhe-se do fino ao grosso, empurrando a agulha para baixo na única camada de pano de vela e empurrando-a depois em direção à parte dupla da costura. Empurra-se novamente a agulha na diagonal na costura por aproximadamente 5 mm ao longo da mesma, através das 2 camadas de pano de vela. O segundo ponto é feito cerca de 1 cm mais adiante (normalmente são feitos 7 pontos num comprimento igual ao tamanho da agulha). É necessário “ganhar mão” e certificar-se de que os pontos são do mesmo tamanho e uniformemente espaçadas, para criar um padrão regular.

Depois de costurar a costura de um lado usando um ponto liso (ponto de costura), vira-se a vela e costura-se a mesma costura do outro lado, usando também um ponto plano. São assim costuradas todas as tiras dos dois lados da costura com uma costura plana e um ponto liso, a fim de criar a forma básica da vela.

Os 4 cantos das velas são reforçados pela costura com pano de vela para criar mais camadas; até 5 ou 6 camadas de espessura de tecido de vela. Essas camadas são novamente costuradas na vela usando o fio de vela. Logo que a forma básica da vela esteja pronta e os cantos tenham sido reforçados é criada uma bainha de alguns centímetros a toda a volta. Dependendo do tamanho da vela esta operação é feita com a vela na mesa ou no chão. Em seguida é dobrada a borda da vela cerca de 4 centímetros e é feito um vinco, forçando este vinco com a “borracha de costura” de madeira. Isto é feito pressionando a “borracha de costura” sobre o vinco e fazendo-a deslizar ao longo do mesmo várias vezes enquanto se aplica força para que o vinco permaneça bem vincado no pano de vela.

Depois da bainha dobrada e vincada em toda a volta, é costurada a bainha usando um ponto liso. O fabricante de velas senta-se no banco do veleiro usando o “repuxo” e o “gancho” para esticar a peça de trabalho ao costurar a bainha e fio que está no compartimento do banco. Para costurar, usa a agulha de vela e o “repuxo” para empurrar a agulha através do pano de vela Por vezes é necessário usar um alicate para puxar a agulha através do pano de vela. Em locais onde a vela tem mais de 2 camadas de espessura, deve ser usado o furador para pré-perfurar as várias camadas de pano de vela através das quais se pode empurrar a agulha. Várias camadas de pano de vela umas sobre as outras são tão fortes que muitas vezes não se consegue empurrar a agulha de vela manualmente.

Todos os lados da vela são reforçados costurando uns cabos fortes que são chamados "tralhas". Para velas grandes, deve ser usado um cabo mais grosso e um cabo mais fino para velas pequenas. Este cabo é costurada em cada um dos lados da vela, na bainha da vela, a aproximadamente 1 cm da borda. Isto é feito costurando o cabo com ”ponto de palomba pela cocha”. Os pontos devem ser dados na mesma direção que o sentido da “cocha” do cabo. O próximo fio é então costurado mais adiante, e assim por diante.

Antes de costurar os cabos da “tralha”, primeiro era necessário fazer os “olhais” que são laços e alças em cabo aplicados às velas, através dos quais passam os cabos que permitem manobrar a vela. Para fazer estes olhais são usadas técnicas de “Arte de Marinheiro” que são usadas para fazer trabalhos em cabo, entre eles um sem número de nós. Estas habilidades não competem aos fabricantes de velas mas sim a marinheiros especializados. Estes olhais são amarrados aos cabos das “tralhas” das valumas nas posições corretas, antes de serem costurados nas velas. Cada vela tem um tamanho e função diferentes e, como resultado disso, os olhais também estão localizadas em diferentes posições. Isso depende da função e do desenho da vela.

No gurutil da vela, são feitos uma série de pequenos orifícios, chamados ilhós, através dos quais são passadas cabos para envergar a vela no vergueiro da verga. Esses ilhós são feitos da seguinte maneira: Um orifício redondo do tamanho necessário é perfurado através da tela de vela nas posições necessárias usando um furador e um martelo. Usa-se uma tesoura ou uma faca pequena para aparar os buracos feitos até ao diâmetro pretendido. Então são elaborados os ilhós usando corda. Isso é feito desenrolando 3 cordões de aproximadamente 500 mm de comprimento tendo cuidado para que as extremidades não se desenrolem fazendo uma falcaça provisória, passando um fio à volta de cada extremidade do cordão (“esganar” o cabo). Pega-se num cordão e faz-se um laço pelo seio, com aproximadamente 5 cm de diâmetro, certificando-se de que ambas as extremidades têm o mesmo comprimento. De seguida pega-se numa das pontas e começa a girar na direção do final do laço. Insere-se a extremidade com que se trabalhou através do laço certificando-se de que o fio está bem encaixado nos recessos do mesmo. Continua-se até que ele faça um círculo completo. Pega-se então na outra extremidade do cordão e torce-se o cordão ao redor do laço também na direção dessa extremidade inserindo a extremidade através do laço e certificando-se de que o cordão se encaixe perfeitamente nos recessos do laço. Continua-se até que todo o cordão tenha feito um círculo completo. O laço parece-se agora com um círculo feito com a mesma espessura de corda da qual foram usados os três fios. O resultado ficará ligeiramente mais grosso do que o diâmetro dos ilhós que vão ser usados.

Cada laço é equipado com um ilhó metido com uma certa pressão no meio do laço e são fixados no respetivo lugar usando 4 pontos de alinhavo de tal maneira que o orifício do ilhó esteja precisamente no centro do orifício efetuado na vela sendo então costurado ao redor do ilhó usando fio de vela. Isto é feito costurando repetidamente laços sobre o ilhó e através do pano de vela até que ele complete um círculo inteiro.

Dependendo do tipo de vela, mais faixas de lona são costuradas a toda a largura da vela a fim de reforçar as linhas dos rizes (bandas de rizes). São perfurados furos do tamanho necessário nessas bandas nas posições necessárias, usando um furador e um martelo. Também é usada a mesma técnica de fabrico de laços que são feitos com cordão de cabo, preenchidos com ilhoses do tamanho correto e cosidos na vela como anteriormente descrito. Pequenos comprimentos de cabo são inseridos através desses ilhoses para que a vela possa ser rizada (diminuída quando o vento sopra forte). Um nó é amarrado no final de cada um destes cabos, em cada lado do ilhó para garantir que a corda permaneça no lugar.

 

Falcaça do chicote de um cabo

A “falcaça” (whipping) é um trabalho da Arte de Marinheiro sendo a mais divulgada a que é feita nos chicotes dos cabos, passando voltas com um fio ou cabo de bitola fina, para evitar que os chicotes de descochem (desmanchem).

O “chicote do marinheiro” (falcaça) é o chicote mais seguro. As voltas de chicote são contidas pelas voltas de “esganamento” que prendem a corda e evitam que o chicote se descoche, danificando-se. Parece ser mais eficaz quando aplicado ao final de um cabo de três cordões – cada par de cordões de esganamento segue a torção do cabo e é acomodado na ranhura. Esse chicote pode ser usado igualmente bem em cabos trançados ou de nylon, mas é necessário um cuidado maior para distribuir as voltas de esganamento uniformemente ao redor do chicote.

 

Desenho 8

As diferentes partes das Velas dos Grandes Veleiros - 2

 

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O exemplo do desenho 8 é dado em referência a uma Vela de Gávea (inteira) mas em todas as outras velas redondas dos outros mastros a nomenclatura é igual e os olhais idênticos, normalmente em menor quantidade.

GI – Garruncho do Empunidouro (ou Impunidor); EC – Earing Cringle.

Garruncho - Anel feito de cordão de cabo, cosido em tralha de vela ou toldo, ou no punho de uma vela, com ou sem sapatilho, para receber escota, amante de bolina, empunidouro, etc. Mais para o final da segunda metade do século XIX estes garrunchos passaram a ser em metal cosidos nos mesmos locais das velas.

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                        Sapatilho – Acessório para cabo, vela ou toldo, constituído por um aro oval ou circular, canelado, que serve para proteger e dar rigidez a uma mão que se costura ou em punhos de vela ou toldo. 

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                                   Mão – Alça que se dá nos chicotes de um cabo, abraçando, às vezes, um sapatilho.

 

EmpunidouroCada um dos cabos delgados, fixos nos garrunchos dos punhos do gurutil e das forras dos rizes das velas redondas, bem como nos punhos da pena e da boca dos latinos quadrangulares e que servem para fixar as velas aos laises das vergas quando se enverga ou se riza o pano.

 

GR – Garruncho dos Rizes; RC; Reef Cringle.

Rizes (singular, Riz) – Pedaços de cabos finos passados nos ilhoses das forras de rizes e que servem para amarrar contra a verga o bolso que se forma ao rizar um pano.

            Rizar – Reduzir a área da vela por meio de rizadura ou enrolando a vela na verga. É manobra que se pratica quando o vento aumenta de força.

 

GTR - Garruncho da Talha dos Rizes ou do Lais; RTC; Reef Tackle Cringle.

Talha – Aparelho de laborar para desmultiplicar a força necessário para içar.

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GBo - Garruncho da Bolina; BC; Bowline Cringle.

Bolina – Cabo que se fixa no amante e poa das testas dos papa-figos, gáveas e joanetes para, nos ventos de través para a proa, chamar para vante o mais possível a testa de barlavento, para que não fique branda e o vento não tenha acção por ante a vante da vela. A bolina de sotavento vai folgada. Cada vela redonda, exceto o sobre, tem duas bolinas.

Amante – Cabo ligado à testa da vela redonda de papa-figo e joanete e que, com outro denominado poa, forma o pé-de-galinha da bolina das velas.

Poa – Cabo fixo nos garrunchos das testas de velas redondas, para segurar um dos chicotes do amante da bolina. 

 

GPE – Garruncho do Punho da Escota; CC ; Clew Cringle.

Escota – Cabo de laborar que se prende no punho das velas (punho da escota) e que serve para caçar ou folgar os panos. Nas velas redondas há uma escota por bordo e nas velas latinas apenas uma. As grandes velas de proa e de entre-mastros têm, para facilitar a manobra, uma escota com duas pernas: uma trabalha caçando o pano por sotavento enquanto a outra perna de barlavento vai folgada.

 

CP – Colchete do Punho; SC; Spectacle or Ring Clew Iron.

Colchete – Ferragem em forma de ferradura, colocada em cada punho da escota da vela e papa-figo, para aguentar nos olhais dois sapatilhos onde vão rematar, com costura de mão, as tralhas da testa e da esteira. Serve para nele se fixar a escota de arrastar. Os colchetes também são usados em punhos de velas latinas, em testas de velas redondas, costurados às tralhas, servindo de olhal para a passagem de cabos de laborar. (Ver desenho superior direito em Garrunchos)

 

GB – Garruncho da Apaga (Sergideira) de Testa; LC – Leechline Cringle

Apaga - Cada um dos cabos fixos nas testas dos papa-figos para prolonga-los com o gurutil, na manobra de carregar pano. São geralmente duas, uma por testa e fazem fixe no garruncho superior, passando depois nos gornes dos moitões cosidos nas vergas. Quando na gávea, tomam o nome de Sergideira ou Serzideira.

 

Briol; BuntlineCada um dos cabos costurados na esteira das velas de papa-figos e gáveas para carregar o pano de encontro à verga. Os papa-figos têm 4 e as gáveas tem 2 brióis.

Aluamento; Roach Line – Flecha da curva concava da esteira, formada em algumas velas, de punho a punho ou do punho da escota ao punho da amura.

Amura; Tack - Cabo com que se prende o punho de barlavento das velas de papa-figos; Fazem para a vante o mesmo serviço que as escotas fazem para a ré/ Cabo que serve para fixar o punho de barlavento das velas de cutelo, cutelinho e varredoura.

Cabo da Tralha; Bolt Rope Cabo que guarnece a orla da vela e a ela é cosido com ponto de palomba. Toma o nome do lado da vela que guarnece.

Forras dos Rizes; Reef Bands – Forra colocada onde se pregam os ilhoses que vão receber os rizes. As forras dos rizes, quando a vela tem mais de uma, são chamadas, de baixo para cima, primeira, segunda e terceira forra dos rizes.

Talha dos Rizes; Reef TackleAparelho de força destinado a auxiliar a faina de colher a vela pelos rizes.

 (continua)

Um abraço e…

Bons Ventos

 

21.11.19

52 - Modelismo Naval 7.28 - "Glossário (e mais qualquer coisa) de Termos Náuticos - Grandes Veleiros 4"


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Caros amigos

 (Continuação)

 

Desenho e Fabrico das Velas

O desenho das Velas

O desenho e o fabrico das velas eram (e são) da maior importância e, se mal executados, poderiam prejudicar bastante o desempenho de um navio bem projetado. As rugas junto à tralha, costuras ou forros, eram geralmente um sinal de mão-de-obra deficiente, com tensões desiguais entre o tecido da vela e as suas várias costuras e cabos da tralha.

Os britânicos usavam lona de linho às vezes com uma pequena quantidade de cânhamo, de uma cor castanha acinzentada ou pálida que, embora provavelmente se tornasse debotada com o tempo, nunca tinha a mesma brancura nevada do algodão matéria-prima esta que era a preferencialmente usada nas velas dos navios dos USA.

Séculos antes, as velas mais baixas dos antigos galeões eram feitas de um material pesado e grosso conhecido como “kersey” (o chamado “burel”, tecido grosseiro de cor castanha manufaturado na Idade Média com lã cardada), e em algumas referências contemporâneas essas velas são chamadas de “kerses”, o que pode ser a origem da palavra inglesa course, com o significado de vela de “papa-figos”. Os navios geralmente carregavam um conjunto sobressalente de velas, feito com lona mais velha, bem remendada, que era usada em regiões com bom tempo, mudando para o conjunto de melhor lona com tempo de borrasca. O conjunto de velas de um navio toma o nome, em português, de “andaina” no geral e de “andaina envergada” o conjunto das velas em uso.

Os panos de vela (1) eram montados costurando-os sobrepostos com o melhor método, conhecido como costura dupla e redonda. O perímetro da vela era dobrado (rebocado) cerca de 4” a 6” para as velas inferiores, 3” a 5” para velas superiores e 3” para velas pequenas, e nessa bainha era costurado um robusto cabo, a “tralha” que era sempre cosido, nas velas redondas ante a ré das mesmas junto à borda da bainha mas não no extremo da borda.

Para as velas terem uma maior resistência, eram costurados panos extra de lona (forros ou bandas) em locais das velas mais sujeitos a elevadas tensões a saber, na generalidade:

  • Sobre as bordas laterais (testas);
  • Bandas dobradas horizontalmente nas linhas de pontos dos “rizes” (banda(s) de rizes);
  • Uma forra mais estreita na parte de baixo da vela na zona da “esteira” acompanhando a concavidade do “aluamento” (2);
  • Uma outra forra no “gurutil”, no alto da vela e;
  • A uma pequena distância da esteira (mais ou menos correspondendo a um terço da altura da vela), uma outra banda horizontal donde saem bandas verticais em número correspondente aos “brióis” da vela existentes na mesma.

Todos estes reforços são aplicados ante a vante da vela exceto o do “gurutil” que é aplicado ante a ré da mesma.

As costuras tinham em média 1,5” de largura, mas entre as velas da frente e a da ré variava um pouco. As costuras da “vela de ré” (vela latina quadrangular) eram mais largas na esteira, digamos 3” a 3,5”, ocasionalmente 5”, cerca de 1,5” no gurutil e na zona média da vela de 2,75”.

Cada costura diminuía gradualmente para essas larguras, o que ajudou a compor o formato dos lados não paralelos de trapézio e deu uma ligeira curva convexa de aluamento na esteira e uma leve barriga no meio. As bujarronas grandes – vela latina triangular de proa – tinham costuras de cerca de 3” na esteira e 2,5” ao longo do estai. Alguns fabricantes de velas, seguindo uma antiga tradição, também deram barriga às velas redondas, mas as velas mais eficientes foram feitas com um formato o mais achatado possível.

No início do século XIX, os garrunchos (3) eram fabricados com pequenos cabos mas mais tarde, foram substituídos por anéis metálicos.

Enquanto foram usados garrunchos de cabo para os brióis ao longo da esteira da vela, a vela tinha apenas uma forra, mas quando os brióis passaram a ter orifícios com anéis de metal na esteira, foi sobreposta mais uma forra.

A posição dos pontos de rizes é de interesse. Desde o século XVIII que os orifícios os pontos dos rizes eram perfurados no tecido entre as costuras, às vezes em pares e às vezes alternando 2 e 1 por pano, como também o eram os orifícios para amarrar a vela ao “vergueiro do pano”. Muitas vezes, era costurada uma outra linha de pontos no espaço entre as duas costuras duplas dos panos da vela, como reforço, especialmente em embarcações da marinha de guerra, e a lona dobrada da banda de rizes era provavelmente considerada suficientemente forte para aguentar os pontos dobrados das costuras.

Pinturas contemporâneas e algumas fotografias ao longo da segunda metade do século mostram os pontos de rizes como estando na linha da costura mais frequentemente do que não e algumas fotografias de veleiros no final do século mostram claramente pontos de rizes espaçados entre costura e tecido, alternadamente.

As velas de ré parecem, consistentemente ao longo do século, ter os pontos de rizes nas linhas de costura, possivelmente porque essas costuras eram mais largas que os orifícios costurados, ajudando a mantê-las mais apertadas. No entanto, era uma queixa comum que as costuras largas retinham água e causavam podridão.

O espaçamento dos orifícios para os garrunchos de estai nas velas era de 36” para as leves, como as gibas (vela latina triangular de proa), e para as maiores, de 27”, que podiam ou não coincidido com as costuras, dependendo do ângulo das costuras em relação aa gurutil.

O aluamento côncavo numa vela redonda dependia do ângulo ou da altura da estai imediatamente abaixo dela, que era necessário ter em conta. Os braços das vergas de um mastro ante a vante da vela, por vezes passavam por baixo da vela, prendendo-se ao mastro ou à encapeladura do estai, pormenor que também tinha de ser levado em conta para calcular o aluamento necessário.

O aluamento da esteira da vela de cima das velas duplas era mínimo e, em muitos casos era reto e funcionava ligada à verga da vela de baixo. Os “clippers” britânicos tendiam a manter as testas dos papa-figos quase na vertical e as testas das velas acima destas com um bom afunilamento até às velas de sobrinho ou até às velas de sobrejoanete.

Os garrunchos das velas redondas e das velas latinas de proa e de entre mastros dos navios mercantes no início do século foram feitas com argolas de cabo separadas e costuradas nos cantos da tralha das velas (alguns veleiros faziam o garruncho diretamente no próprio cabo da tralha). Esses garrunchos partiam-se frequentemente e foram usados “sapatilhos” encaixados neles, para maior resistência. Por volta de meados do século começaram a ser usados garrunchos de metal, em forma de anel ou “colchetes de punho” que duravam mais do que as velas. Os garrunchos da bolina, (Cabo que se fixa no amante e poa das testas dos papa-figos, gáveas e joanetes para, nos ventos de través para a proa, chamar para a vante o mais possível a testa de barlavento, para que não fique branda e o vento não tenha ação por ante a vante da vela. A bolina de sotavento vai folgada. Cada vela redonda, exceto o sobre, tem duas bolinas) que antes eram montadas em todas as velas redondas dos navios, sobreviveram em alguns ”clippers” até o final da era. As amuras tinham a útil função de segurar bem a testa da vela do lado do vento de forma a provocar uma ligeira curva para capturar o vento no seio da mesma, pois sem elas o vento, nos papa-figos e nas velas superiores, puxava as testas para a uma linha vertical direita que deixava passar o vento e ter uma ação oposta na vante da vela.

A forma das “velas auxiliares” mais baixas (varredouras) dependia em grande parte da largura dos papa-figos que, se fossem muito largos, necessitariam de uma varredoura mais estreita. Uma pau “pau da varredoura) projeta esta vela auxiliar fora de borda e encontra-se montado do lado do navio num “mangual e cachimbo”, que o articula com o bojo das bochechas das amuras. Este pau poderia ter até cerca de 15 metros de comprimento e 12” de diâmetro, mas paus mais curtos eram mais usuais. A existência de um pau de varredoura poderia ser eliminada tornando esta vela auxiliar triangular adaptada ao lado do navio, como foi feito no caso do “Cutty Sark”, embora muitas pinturas modernas deste navio mostrem, erroneamente, uma lança com uma vela retangular.

Podiam ser largadas velas auxiliares de cada lado do mastro do Traquete e do Grande nos papa-figos, gáveas, joanetes e, esporadicamente nos sobrejoanetes bem como, muito raramente, na vela da gata da Mezena. As velas auxiliares acima das varredouras tomavam os nomes, em português, de “cutelos” para as gáveas e joanetes e de “cutelinhos” para as que se encontravam acima destas, quando as havia. Em inglês todas estas velas auxiliares são denominadas da mesma forma – studdingsails ou stunsails.

Com o vento de popa, as velas auxiliares, quando necessário, eram colocadas em ambos os lados ante a ré das velas adjacentes, mas com as vergas braceadas, as velas auxiliares no lado do sotavento (lado oposto ao de onde vem o vento-barlavento), eram recolhidas. Usualmente, estas velas, quando usadas com frequência, ficavam estivadas verticalmente, amarradas na parte interior das enxárcias superiores; caso contrário, eram guardadas nos patins de suporte dos salva-vidas ou no teto da casa do convés. Os paus das varredouras eram estivados ao longo da amurada da proa de cada bordo do navio, apoiados num encaixe no convés a cerca de 1/3 do seu comprimento a partir do lais.

Outro tipo de pau parecido com o pau da varredoura aparece às vezes mencionado em relação a alguns “clippers” do chá com o nome de “poleiro” (passaree boom) (4). Tratava-se de um pau curto fixado com mangual e cachimbo em cada um dos lados dos mastros do traquete e do grande, a BB e a EB, a uma altura suficiente para passar por cima da borda falsa. Cada um destes paus existia em navios de guerra e o seu comprimento pouco excedia o da verga dos papa-figos. Com o vento de popa e as velas do papa-figos envergadas, os punhos das escotas eram puxados para fora das bordas falsas e retesados com cabos próprios diferentes das escotas que supõe-se se chamavam “pássaros” (passaree?) (4) tornando a vela achatada, quase plana. Sem estes paus, os punhos das escotas seriam mantidos próximos aos baluartes, com a vela formando um ventre arredondado, como era o caso das velas do traquete e do grande. Estes paus podiam ser desmontados dos seus cachimbos e ser guardados no convés na previsão do seu uso continuado, ou removidos completamente noutras situações.

 

(1) – A propósito de panos de vela e relacionado com elas, embora neste glossário se trate de grandes veleiros que sulcaram os mares do mundo entre os séculos XVIII e princípios do século XX, ficando de fora tudo o que diz respeito aos navios portugueses da “Descoberta”, fica aqui uma informação complementar, importante para os modelistas que se dedicam a essa época.

As velas dos descobrimentos foram manufaturadas de uma forma similar à que aqui se apresenta, tendo como matéria-prima básica o “pano de treu”, lona de linho que era manufaturada principalmente em Vila do Conde (mas também em Azurara, Póvoa, Porto, Braga, Esposende, Touguinha e S. Simão da Junqueira) que, na falta dela, era por vezes substituída por lona “vitres” ou “pondavids”, (embora sem fonte confirmada, eram lonas provenientes da região de Vitré, na Bretanha, França).

O linho para a confeção do “pano de treu” era maioritariamente importado. Em 1527, 209 importadores (180 de Vila do Conde, 86,1% do total) importaram um total de 29.364 arráteis (13,48 T) e em 1532, 117 importadores (103 de Vila do Conde, 86% do total) importaram um total de 10.708 arráteis (4,915T).

“Em 1377, um diploma de D. Fernando regulamenta, na sequência de uma prevista encomenda de grande quantidade destas lonas para a armação de galés régias, que a sua dimensão se fixe em um palmo e dois dedos de largura segundo a bitola, em ferro, que deveriam fornecer nos respetivos locais de produção”.

Na época, um palmo e dois dedos de largura atingia um valor próximo dos 24-25 Cm.

Os dados constantes nesta nota foram retirados de uma comunicação que se encontra no repositório da Faculdade de Letras do Porto:

“A Tecelagem de Panos de Treu em Entre-Douro-e-Minho no século XVI

Contributos para a definição de um modelo de produção”

Amélia Apolónia

em:

https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/8194/2/5278.pdf 

e

“Rigging the Pepper Wreck. Part 2 – Sails”

Nau Portuguesa “Nossa Senhora dos Mártires”

Filipe Castro

em (pgs: 5 e 6)

https://nautarch.tamu.edu/shiplab/00-pdf/Castro%202009%20-%20PepperWreckSails.pdf

 

(2) – Flecha da curva da esteira formada por algumas velas, de punho a punho ou do punho da escota ao punho da amura.

(3) - Anel feito de cordão de cabo, cosido em tralha de vela ou toldo, ou no punho de uma vela, com ou sem sapatilho, para receber escota, amante de bolina, empunidouro, etc. Os chamados garrunchos de três, empregados nas velas, formam-se com três cordões e os de quatro, usados nos toldos, formam-se com cordões de dois rabichos. Também podem ser colchetes de metal em lugar de garrunchos de cabo.

(4) – O léxico de Inglês define “passaree”, no seu conceito histórico/náutico como: Um cabo, usado nos barcos com velas redondas para esticar, (no sentido de to streatch), a vela do traquete redondo e a vela grande, quando a navegar com vento de popa, colocando (hauling) os punhos das escotas no fim de um pequeno pau de vela auxiliar”.

Esta palavra aparece, com frequência, no século XVII (o seu uso é encontrado nos escritos de Samuel Sturmy (1633-1669) que escreveu sobre os aparelhos de navios) e etimologicamente tem uma origem incerta que tanto pode ser no termo antigo espanhol “passarín” ou no termo italiano regional de Veneza “passerìn”, ambos significando atualmente “pássaro”, em português

Tendo em conta a visão que se possa ter de um pau que se articula no mastro e que se projeta, paralelamente à verga da vela que serve, para fora do navio por cima da borda falsa e que no seu lais (que alcança a perpendicular do lais da verga respetiva) tem prendido um moitão por onde passa um cabo que tem um chicote amarrado no punho da escota e em que o outro pode ser preso na mesa de malaguetas, fazendo fixo e mantendo a esteira e a testa tesadas levando a vela a tomar uma forma retangular e plana então, “passaree boom” poderá ser traduzido por “poleiro”. Há falta de uma melhor, fica aqui a minha leitura do termo.

 

Desenho 7 

As diferentes partes das Velas dos Grandes Veleiros – 1

 

Desenho 7.jpg

 

No desenho acima estão representadas as duas velas de baixo do Mastro Grande a saber: a Vela da Gávea, a superior (inteira, antes de c. 1850) e a Vela Grande, a inferior, ambas ligadas aos vergueiros metálicos das respetivas vergas. O modo de aparelhar estas velas (manufactura e aparelho de laborar) embora se refira às duas velas de baixo do mastro grande dos veleiros, devido á sua complexidade, serve de exemplo para todas as outras velas de papa-figos e de gávea dos outros mastros que são iguais, bem como para as velas acima destas que, não sendo tão complexas e mais fáceis de aparelhar, seguem as mesmas regras que para as inferiores.

É de reter que às velas de papa-figos, na época dos galeões, era acrescentada uma “saia” inferior, “de pôr e tirar”, que aumentava a área velica e era “cozida” ao papa-figos com laços fixos na saia que passavam em ilhoses existentes na esteira do papa-figos e eram enfiados um nos outros pelo seio, longitudinalmente, ao longo de toda a esteira. Este sistema permitia que a saia fosse montada e desmontada sempre que necessário e com uma certa rapidez.

Os grandes veleiros, no que diz respeito às Velas de Gávea não usam tantos cabos de manobra já que cerca de 1850, as gáveas que eram enormes e pesadíssimas, foram “partidas” em duas tornando-as mais leves e consequentemente, mais fáceis de manobrar tendo o aparelho sido simplificado.

No desenho nº 7 que é apresentado neste verbete a visão das velas é por ante a vante das mesmas.

Normalmente as velas são manufaturadas com lonas de diferentes matérias-primas (cânhamo, algodão, linho, etc.) com diferentes números que correspondem ao peso por unidade de área, sendo os números mais baixos reservados para as lonas mais fortes (pesadas) – 00 – e os mais elevados para as lonas mais frágeis (leves) – 12 – (denomina-se lona as número 1 e 2, meia-lona as números 3 e 4 e brim as números 5 e 6).

A lona é fornecida em rolo ou em “panos” com diferentes larguras – dependendo do país e do fabricante – embora se procure uma largura estandardizada. A primeira operação será a do corte dos panos necessários para a confecção de determinado tipo de vela seguindo-se a cosedura dos vários panos sobrepondo-os uns 5 cm e cosendo-os de ambos os lados.

Pondo de parte de imediato outras operações que são necessárias ser executadas, passemos à do reforço de certas partes da vela mais suscetíveis de desgaste rápido pela tração de cabos ou pela fricção no aparelho fixo do navio ou nas madeiras, através da aplicação de “forras” que são constituídas por tiras de lona ao longo dos pontos da vela que podem ter mais desgaste.

Vamos seguir a legenda 1 que identifica por letras, nas duas velas do desenho, estas forras e relembrar os nomes dos quatro lados das velas redondas:

Gurutil – o lado de cima da vela;

Esteira – o lado de baixo da vela

Testas – os lados de BB e de EB da vela.

Temos assim:

a – terceira e quarta “forras de rizes” (1) (reef-bands) com os respetivos “rizes”  (reef-points) preparados para rizar com “vinhateiras” (2) (beckets) “Cabo curto com mão ou alça num dos chicotes e pinha de rosa ou trambelhos (toggles) no outro, dobrado pelo seio (vinhateira fechada) ou com a mão enfiada no vivo do cabo de modo a fazer um pequeno circulo (vinhateira aberta) enfiada no vergueiro do pano e que serve para os que trabalham na verga se agarrem. Fixo em qualquer ponto, serve para pear ou conter cabo ou pano”

a’ – primeira “forra de rizes”;

a’’ – segunda “forra de rizes”;

b – “forra do trainel” (belly-bands),  é uma forra da face de vante das velas redondas situada entre a última forra de rizes e a esteira da vela. Frequentemente, só existe uma única forra deste tipo por vela. Aplica-se em todas as velas redondas do navio exceto nos “sobres”;

c – “forra das testas” (leach linings), é um reforço, quase sempre no mesmo material de que a vela é fabricada, aplicado nas bainhas dos lados das velas redondas e que serve para aumentar a resistência das velas ao atrito contra o aparelho fixo;

d – “forra da esteira” (foot linings/ band), é também um reforço, neste caso da parte de baixo das velas, pela mesma razão de prevenção contra o atrito no uso das mesmas e é aplicada na face da vante das velas;

e –“forra do gurutil” (top linnings), com a mesma finalidade, esta fora é aplicada na face da ré da vela e tem um grande número de ilhoses para os “envergues” (Cada uma das gaxetas ou dos cabos fixos nos ilhoses do gurutil da vela para amarrá-la à verga ou ao vergueiro);

f – “forra do mastro” (mast lining/mast cloth), com a mesma finalidade de proteção da vela do atrito causado pela roçar da vela no mastro, uma forra vertical no meio da vela e aplicada na face da ré das velas;

g – “forra dos brióis” (buntline cloth),

h – “forra da talha dos rizes” (reef-takle pieces on bands)

t – “forra da “tralha”(3) do gurutil e dos ilhoses dos envergues do gurutil” (head tabling and head holes),  reforça a resistência dos ilhoses (zona que sofre bastante tração por efeito dos ventos) através dos quais  os envergues são passados.

(1) As forras de rizes, atualmente, são numeradas a partir da esteira da vela no sentido da verga da mesma. Antes de c. 1850 eram numeradas em sentido contrário, a partir da verga para a esteira.

(2) Neste caso, as “vinhateiras” tomam o nome de “rizes” que são “Pedaços de cabos finos passados nos ilhoses das forras de rizes e que servem para amarrar contra a verga o bolso que se forma ao rizar um pano”. Também se pode rizar com rizadura de “trambelhos” (toggles) que é um “Sistema de rizar das velas redondas que consiste em dois cabos, passando um pela face de vante e outro pela face de ré das forras de rizes, enfiando um pelos seios do outro que passam pelos ilhoses das mesmas forras, sendo o vergueiro guarnecido de trambelhos para se praticar a manobra”.

(3) Cabo que guarnece a orla da vela e a ela é cosido com ponto de palomba. Toma o nome do lado da vela que guarnece. Assim, temos tralha da esteira, da valuma, da testa e do gurutil. À tralha são presos garrunchos, aros, colchetes ou mosquetões que servem para vestir a vela em verga, mastro ou estai.

 

1 – “amantilho da verga” (lift)

2 e 3 – “talha do lais/talha de rizar” (reef-tackle)

4 – “impunidouro” (head-earing/reef-earing)

5, 6, 7, 8 e 9 O primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto “garruncho” da talha do lais ou de rizar (reef tackle cringle)

10 – “garruncho da bolina”  (bowline cringle)

11 – “colchete do punho da escota” (spectacle clew)

12 – “trambelho do briol” (buntline toggle)

13,14 e 15 – “vinhateiras do briol” (glut)

(continua)

 

Um abraço e…

Bons Ventos