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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

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08.08.19

47 - Modelismo Naval 7.23 - "Cutty Sark" O Modelo 3.4


marearte

ib-04.1.jpg

 

(continuação)

 

Caros amigos

 

O Aparelho do ”Cutty Sark” representado no Modelo

 

CS-2 (1).jpgSe quisesse ser mais “papista do que o papa” e seguisse a “escola francesa de Modelismo Naval” (se é que existe tal coisa!), este modelo sendo “estático”, não deveria ter as velas envergadas e desfraldadas como se estivesse a navegar. Poderia, isso sim, ter as velas envergadas mas ferradas junto aos braços das vergas (as velas redondas) e as velas de estai, arriadas. Para ser apresentado desta forma, deveria ser parte de um diorama onde figurasse o mar dando a ideia de que o navio estava a navegar. Estou completamente de acordo com essa regra. Mas as regras fazem-se para ser quebradas e optei por esta apresentação que permite mostrar o modelo visualizando todo o aparelho de galera que fosse possível. Essa foi a minha intenção.

 

IMG_1918.JPGUm aspeto de estibordo do modelo, junto ao mastro do traquete, onde sobressai a “confusão” de cabos existentes no navio

 

Quem visita um grande veleiro pela primeira vez e é “marinheiro de sequeiro” ou seja, sem nenhuma experiência sobre este tipo de navios, fica confuso com a profusão de cordas (cabos) que se encontram penduradas por toda a estrutura e que, aparentemente, se apresentam como um caos difícil de manusear.

Na realidade, este caos aparente não passa disso mesmo, aparente, pois tudo tem uma função que se torna fácil de determinar devido à sua organização.

Todos os cabos, frequentemente chamados de “aparelhos” ou “massame”, podem ser classificados em duas classes:

O “Aparelho Fixo” – que envolve todos os cabos que suportam os mastros e que os mantêm em posição relativa no navio e o “Aparelho de Laborar” que é composto pelos cabos necessários à manobra das vergas e à mareação das velas.

 

(Para os exemplos que se seguem de visualização dos conceitos e da forma de funcionamento, recorri ao site http://jans-sajt.se/ de um modelista alemão/sueco com grande interesse por esta coisas e que, afortunadamente, publicou no seu site, baseando-se na fotografia do navio escola português “Sagres II”, diagramas dos vários cabos fixos e de laborar que exemplificam, de uma forma clara, o uso e utilidade dos mesmos. Embora o aparelho da “Sagres II” seja de “barca” e o do “Cutty Sark” seja de “galera” a nomenclatura (em português e em Inglês), localização e função dos cabos descritos, é muito semelhante para os dois tipos de navios como também para qualquer outro tipo de navio com aparelho redondo.)

 

O Aparelho Fixo (Standing Rigging)

 

Consideram-se como fazendo parte do aparelho fixo todos os cabos que não se movem (com exceção de alguns que fixam os mastros). Só existem três tipos: os estais, os ovéns e os brandais. Os estais, os ovéns e os brandais equilibram as suas forças no sentido de manterem os mastros, o gurupés (que também é um mastro) e outras partes do navio numa posição fixa relativa de forma a formarem uma moldura de enquadramento das velas, que compõem o real “motor” do navio.

 

1 – Estais (Stays)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todos os estais existentes no “Cutty Sark” original).

 Os “estais(representados a vermelho no esquema 1) suportam os mastros no sentido da proa.

 

 

1-Estais.jpgEsquema 1

 

No século XIX, as velas de estai (velas de popa à proa) começaram a ser envergadas nos estais, quer na proa quer entre-mastros. Estes cabos (de fibra vegetal) são os de maior bitola que existem nos navios, tendo começado a ser substituídos por cabos de arame de aço (quando este metal ficou disponível), devido às forças de várias toneladas que têm de suportar o que levava muitas vezes ao rebentamento dos cabos de fibra vegetal em situações de ventos de força 9-10 e, por vezes, menores.

 

 

2 – Ovéns (Shrouds) e Brandais (Backstays)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todos os ovéns e brandais existentes no “Cutty Sark” original)

 

Os “ovéns(representados a vermelho no esquema 2, formando triângulos com o vértice superior nas zonas das gáveas dos mastros) e os “brandais(representados a vermelho no esquema 2, formando linhas paralelas da amurada aos mastaréus) são pares de cabos que suportam os mastros para bombordo e estibordo e no sentido da popa.

 

2-Ovéns e Brandais.jpg

Esquema 2

 

Os ovéns têm “enfrechates” (degraus feitos de cabo – ou outro material mais rígido) que servem para dar maior resistência a estes conjuntos e simultaneamente também como degraus de escada para acesso às zonas superiores dos mastros e mastaréus. Os brandais, não têm enfrechates e suportam os mastaréus de topo, havendo um ou dois que podem ser aliviados durante a navegação chamados “brandais volantes”.

 

 

O Aparelho de Laborar (Running Rigging)

 

3 – Adriças das Vergas (Yard Halyards) e Adriças da Carangueja (Gaff Halyards)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todas as adriças das vergas e as adriças da carangueja existentes no “Cutty Sark” original)

As “adriças das vergas(representadas a amarelo no esquema 3) das velas redondas são cabos usados para içar ou arriar as vergas das velas superiores (representadas a vermelho no esquema 3), a fim de baixar o ponto de gravidade, especialmente quando o navio está numa situação de mau tempo (vendaval).

 

3-Adriças Vergas e Adriças Carangueja.jpg

Esquema 3

Com exceção das vergas dos antigos navios (antes do século XIX), cada verga tem apenas uma adriça. Nos tempos antigos, todas as vergas de velas redondas eram içadas ou arriadas desta maneira. Por isso, todas as vergas tinham também um par de “amantilhos(1) a bombordo e a estibordo para as equilibrar durante as manobras de içar ou arriar as vergas superiores.

(1) Ver a caracterização deste cabo de laborar no ponto 5 desta lista.

As vergas inferiores (representadas a azul no esquema 3) são bastante mais pesadas do que as vergas superiores devido às suas dimensões. Assim, as suas adriças são movidas por pesadas aparelhos de força (catrinas, cadernais, talhas triplas). As vergas superiores (representadas a vermelho no esquema 3), também têm aparelhos de força duplos. Em embarcações antigas, as vergas mais baixas também eram içados e arriadas pelas “tripas” (adriças de grande bitola, muito pesadas, movidas com estralheiras, uma por bordo e por duas por bordo nos grandes navios de guerra de primeira linha).

As adriças das vergas superiores (“ostagas(2) (adriças) das gáveas, adriças dos joanetes e adriças dos sobrejoanetes) descem em direção ao convés em paralelo com os brandais, e moram nas mesas de malaguetas de cada um dos bordos. Por razões de equilíbrio para equalizar a carga nas mesas de malaguetas de cada um dos bordos, as adriças mais pesadas começam como um único chicote de um dos terços das vergas para cima que desce do outro lado do terço, onde estão presas aos respetivos aparelhos de força mais ou menos pesados. As adriças mais leves conduzem diretamente das vergas até às mesas de malaguetas.

(2) Nome que é dado às adriças das gáveas.

As adriças das vergas redondas inferiores são as mais pesadas de todas.

  • A verga real (uma verga inferior) pode pesar por volta de 1.000kg e se envergar a respetiva vela pode pesar por volta de 3 toneladas;
  • As velas de mau tempo (lona 1 ou 2) podem pesar 1 tonelada quando secas;
  • Os marinheiros que sobem aos mastros para manobra de velas estão de pé, apoiados em cima de estribos, com a barriga assente na verga e as duas mãos dedicadas à faina. Mais de 10 homens são necessários para abafar ou ferrar uma vela redonda inferior;
  • O vento tende a afastar a vela do mastro.

Nos grandes veleiros (desde 1900), as vergas mais baixas – dos papa-figos e das gáveas cujas velas eram colhidas com a ajuda de “bolinas(3) – foram fixadas com uma cremalheira no mastro, permitindo-lhes apenas balançar horizontalmente com os “braços(4) Estas vergas não tinham adriças.

(3) e (4) Ver a caracterização destes cabos de laborar nos pontos 8 e 4 desta lista, respetivamente. 

As caranguejas podem ser de arriar ou fixas. Quando de arriar, tem dois tipos de “adriças da carangueja”: a "adriça da boca" que pega na boca de lobo que trabalha no mastro e a "adriça do penol" passada no terço do penol da verga. É o caso do “Cutty Sark”. Em barcas modernas, as caranguejas da mezena estão pendurados em engrenagens fixas. Mas nas escunas, as velas de carangueja ainda são içadas e arriadas com aquelas adriças.

 

 

 

4 – Adriças das Velas de Estai (Staysail Halyards) e Carregadeiras de Arriar (Downhauls)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todas as adriças das velas de estai bem como as carregadeiras de arriar existentes no “Cutty Sark” original)

Uma “adriça das velas de estai(representadas a amarelo no esquema 4) é usada para içar estas velas que são envergadas nos estais de proa e de entre mastros. Esta adriça "apenas" carrega o peso da vela e aguenta a força do vento.

A contrapartida desta adriça é a “carregadeira de arriar(representadas a verde no esquema 4).

 

4-Adriças Velas Estai e Carregadeiras de Arriar.jpgEsquema 4

As velas de estai podem ser arriadas, apenas pelo seu próprio peso, quando a adriça é aliviada, mas sob fortes ventos é necessária a carregadeira de arriar para conseguir manter a vela dentro do convés.

 

5 – Amantilhos (Topping Lifts)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todos os amantilhos existentes no “Cutty Sark” original).

Os “amantilhos (representados a amarelo no esquema 5) são cabos que servem para equilibrar verticalmente as vergas.

 

5-Amantilhos.jpgEsquema 5

 

As suas funções são:

  • Permitir que o vento “enfune” as velas e também, para ganhar uma melhor mareação afinando as velas aproveitando ao máximo a força do vento;
  • Evitar que a verga se incline, quando os marinheiros estão na faina de ferrar ou abafar o pano apoiados nos estribos das vergas;
  • Adaptar o equilíbrio do navio à inclinação provocada pelos ventos.

Os amantilhos são sempre aos pares, um para bombordo e outro para estibordo. Atuando sobre os amantilhos conduzem-se os lais das vergas em direção ao convés (no sentido descendente) até o mastro.

Os atuais navios escola têm amantilhos fixos para as vergas superiores que são içadas e arriadas. Quando arriadas, essas vergas estão “pendurados nas suas engrenagens”. Quando içadas e com velas colocadas, esses amantilhos ficam soltos na frente da vela.

 

6 – Braços (Braces)

  (No modelo apresentado neste blog, figuram todos os braços existentes no “Cutty Sark” original)

Os “braços(representados a verde e a vermelho no esquema 6) são cabos de manobra que servem para movimentar as vergas e as velas para o melhor vento.

 

6-Braços.jpg

Esquema 6

Os braços das vergas redondas estão sempre em pares um para bombordo e outro para estibordo. Estes cabos têm origem no lais das vergas de um mastro e levam para o mastro que lhe fica atrás (ré), (Traquete ---» Grande; Grande ---» Mezena) tendo morada nas mesas de malaguetas (que ficam no enfiamento dos mastros a bombordo e estibordo) que os recebem de volta a fim de terem um efeito de alavanca aumentado.

Em veleiros com aparelho completo (galeras, p.e.), onde o último mastro também tem vergas redondas e é chamado de mastro de Mezena, não há mais nenhum atrás dele, e assim, as chaves das vergas da Mezena levam ao mastro na frente dele. (Mezena ---» Grande).

Em aparelhos mais modernos os braços não são movidos manualmente mas sim por guinchos.

 

7 – Escotas (Sheets) e Amuras (Tacks)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todas as escotas e amuras existentes no “Cutty Sark” verdadeiro)

As ”escotas(representadas a verde e a vermelho no esquema 7), são cabos que mantêm as velas tesadas sob a acção do vento.

 

7-Escotas e Amuras.jpgEsquema 7

Os cantos inferiores das velas (punhos) são o ponto de origem das escotas e dos estingues. Quando as escotas são aladas, os estingues são afrouxados e vice-versa.

As escotas do pano redondo estão sempres aos pares para bombordo e para estibordo. Elas saem do punho para a verga inferior ou diretamente para o convés. Normalmente as escotas têm a sua morada nas escoteiras que se encontram à volta das bases dos mastros.

Apenas as velas redondas inferiores (os papa-figos) são diferentes: têm escotas que dizem para a ré e “amuras(representadas a vermelho sobre o convés e saindo para fora da borda do navio no esquema 7), que dizem para a proa para permitir que essas velas se movam com os braços no sentido horizontal e tesem a vela nessa posição; os estingues dos papa-figos são manobrados, num espaço longo, em cima do convés. As escotas e as amuras dos papa-figos passam através de orifícios com roldanas embutidas nos costados do navio e vão morar nas mesas de malaguetas em cada um dos bordos.

 

8 – Estingues (Clewlines = Cluelines)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todos os estingues existentes no “Cutty Sark” verdadeiro).

Os “estingues (representadas a vermelho, bombordo e a verde estibordo no esquema 7) são as contrapartes das escotas, usados para transportar os punhos das velas em direção aos braços das vergas. Esta é a pré-condição para ferrar as velas com os brióis e as valumas.

 

8-Estingues.jpgEsquema 8

 

Uma exceção nos navios modernos é a verga da gávea superior. O seu estingue é chamado de “carregadeira de arriar”, porque os punhos da vela têm escotas quase fixas, e toda a verga é arriada; ao fazer esta manobra, o estingue fica mais curto, levando o punho ao braço da verga.

Os estingues estão sempre aos pares, um para bombordo e outro para estibordo. Eles conduzem desde o punho da vela até ao lais da verga e a partir daí até ao terço da verga onde os moitões estão presos. Em seguida, os estingues descem em direção ao convés para a mesa de malaguetas do bordo respetivo ou para a escoteira do mastro correspondente. Qualquer um destes arranjos – mesa de malaguetas ou escoteira do mastro – pode ser encontrado em diferentes navios.

Por vezes, os estingues estão organizadas juntos com os brióis na mesa de malaguetas, pois ambos os cabos são usados para levar as velas para dentro. No “Sagres II” os estingues estão amarradas como “pares opostos” com as escotas amarradas em duas malaguetas vizinhas na escoteira do mastro.

 

 

9 – Brióis (Buntlines) e Valumas (Leechlines)

(No modelo apresentado neste blog, figuram todos os brióis e valumas existentes no “Cutty Sark” verdadeiro).

Os “brióis(representados a verde no esquema 9) servem para ferrar a velas nas vergas; tal não é nítido quando o navio está no porto, mas permite, durante a faina, que os marinheiros apoiados nos estribos da verga possam abafar ou ferrar as velas com maior facilidade.

 

9-Brióis e Valumas.jpgEsquema 9

 

Os brióis estão sempre aos pares de 2, 4 ou 6 para bombordo e para estibordo; por vezes encontra-se um briol na zona central da vela. Os brióis levam as esteiras das velas até à verga, através de moitões nos terços das vergas até às mesas de malaguetas; os brióis das velas superiores passam pela verga que lhe está abaixo. A sua direção é quase paralela aos ovéns.

Valumas(representadas a vermelho no esquema 9) são um subtipo de brióis que conduzem das testas das velas (dos lados da vela) para a verga, para ferrar ou abafar com maior facilidade e rapidez a vela no braço da verga.

 

10 – Bolinas (Bowlines)

(No modelo apresentado neste blog, não figuram as bolinas pois não existiram no “Cutty Sark” verdadeiro).

 

Bolinas (representadas a amarelo no esquema 10) sempre aos pares para bombordo e para estibordo, foram utilizados até 1850, nos antigos veleiros. Funcionavam fixas nos amantes e poas das testas das velas de papa-figos, gáveas e joanetes. A sua função era, nos ventos de través para a proa, chamar para vante o mais possível a testa de barlavento para que não fique branda e o vento não tenha ação por ante a vante da vela. As bolinas de barlavento eram tesadas enquanto as de sotavente iam folgadas. As bolinas ficaram fora de uso com o advento das fragatas e dos “clippers”, quando as velas partidas (duplas) do joanete foram introduzidas para evitar velas superdimensionadas.

 

10-Bolinas.jpgEsquema 10

 

Com base nos poucos documentos da época existentes, as velas antigas ficavam muito mais enfunadas do que as velas que conhecemos hoje, e eram manejadas de uma forma diferente. As velas, por várias razões, não conseguiam ser esvaziadas tão bem quanto agora por muitas razões, e a bolina ajudava a compensar esse limite arrastando as testas da vela e mantendo-as abertas para o vento sair, duma forma mais ou menos eficaz. Mas na maior parte das vezes, a bolina era um dos cabos de manobra menos eficaz de todo o aparelho.

Quando as bolinas saíram de uso, a fotografia tinha acabado de ser inventada e ainda era uma técnica imatura, e por isso não existem muitas fotos suficientemente claras para mostrar as bolinas em ação.

De qualquer forma, o “Sagres II”, apesar de ter sido usado como base para a ilustração do Esquema 10, não tem bolinas como também o “Cutty Sark”, que foi construído em 1869, 19 anos após este cabo de manobra deixar de ser utilizado.

A bolina é agora conhecida apenas por historiadores e modelistas. Mas os montanhistas ainda usam o nó para se suspenderem durante as escaladas. Este nó é hoje conhecido na navegação como “lais de guia” ou “balso de marinheiro”.

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Estes são os cabos fixos e de laborar básicos que fazem parte do aparelho dos grandes veleiros sejam eles galeras, barcas, escunas, ou de qualquer outro tipo. Todos estes cabos (com exceção das Bolinas) encontram-se representados no modelo do “Cutty Sark” que foi apresentado.

Por vezes, alguns cabos de laborar tomam nomes específicos consoante o local onde laboram (p.e. Em que vela? Em que verga?...), tais como: Amantes, Apagas, Andrebelos, Burros, Gaios, Ostagas, Sergideiras e Valumas. Todos estes cabos não se encontram representados no modelo do “Cutty Sark” que foi apresentado.

No entanto, por exemplo, as adriças que içam as vergas das gáveas muitas vezes são chamadas de ostagas. (ver o ponto 3 desta lista).

 (continua)

 

Uma abraço e...

Bons Ventos