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Mar & Arte

Artesanato Urbano de Coisas Ligadas ao Mar (e outras)

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04.07.19

42 - Modelismo Naval 7.18 - "Cutty Sark" 2.15


marearte

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O “Cutty Sark” como Navio Museu – Cutty Sark Preservation Society – 1953

 

Em 1953 o “Cutty Sark” foi doada à “Cutty Sark Preservation Society” a fim de ser reconvertida em navio museu e aberta ao público.

Em 1954 foi entregue na “East India Import Dock” – doca que, nos tempos de atividade do navio foi usada algumas vezes para carga e descarga de mercadorias quer da China (caixas de chá) quer da Austrália (fardos de lã) – onde foi aligeirada dos mastros superiores, das vergas, das instalações do convés, do balastro, enfim de tudo o que pudesse contribuir para facilitar a sua entrada numa doca seca, em Greenwich.

 

Arriving-10-Dec-1954.jpgO “Cutty Sark, vista de popa, a entrar na sua nova morada – a doca seca de “Greenwich”

 

O capitão nessa ocasião foi o capitão C.E.Irving, de 83 anos, que havia navegado no “Cutty Sark” pelo mundo três vezes, antes de completar 17 anos. O piloto do rio foi Ernest Coe.

 

11.jpgEm 1954, Início da adaptação da doca seca ao perfil do “Cutty Sark” e dos fabricos definitivos no navio, para o rearranjo como museu.

 

Posteriormente, o canal de entrada para a doca seca foi tapado, a parede do rio foi reconstruída e o trabalho de rearranjo começou. A pedra base da doca seca foi lançada pelo Duque de Edimburgo, patrono da “Cutty Sark Preservation Society”, em junho de 1953. A restauração, aparelhamento e preparação para a exposição pública foi estimada em £ 250.000.

 

1956-1957 (2).jpgO “Cutty Sark” durante a restauração em 1956-7

 

 

 

HM-The-Queen-leaving-CS-gardens-1957-RS (2).jpgEm 25 de Junho de 1957, Sua Majestade a Rainha Elizabete II, declara o “Cutty Sark” aberto ao público.

 

220px-Cutty_Sark_1997frog1 (2).jpgEm 1977 era este o aspeto do “Cutty Sark” na doca seca de “Greenwich”.

 

 

O “Cutty Sark” já foi visitado por milhões de pessoas de todo o mundo e é o único “clipper” do chá que ainda existe numa forma conservada.

 

Um outro “clipper” o “City of Adelaide”

Aqui: City_of_Adelaide_(1864).pdf

 

que se encontra na Austrália e que foi o principal responsável pelo transporte de imigrantes da Europa para a Austrália, já percorreu um grande caminho entre uns restos semiafundados na Escócia …

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O “City of Adelaide” semiafundado em “Princess Dock”, Glasgow, Escócia, em misteriosas circunstâncias

 

… e uma estrutura de casco minimamente recuperada na cidade de Adelaide, Austrália, que luta por um financiamento para a sua conservação.

 

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Foi transportado por num transporte especial por mar, da cidade de Glasgow, Escócia para Adelaide, Austrália, onde se encontra hoje (em recuperação, mas já visitável).

 

Um outro “resto” de clipper é o “Ambassador” que se encontra no Estreito de Magalhães perto da Estancia “San Gregorio” no Chile. Que se saiba, o governo do Chile reivindicou os restos como monumento nacional. Mas pelos vistos, foi só isso. Estas coisas custam muito dinheiro!

Aqui: Ambassador_(clipper).pdf

 

 

 

3244264379_fc4b0bc4a0_b.jpgEste era o aspeto do “Ambassador” que conserva a sua estrutura metálica tendo perdido toda a madeira com a exceção aparente de um barrote pertencente à estrutura do cadaste externo do leme. É uma estrutura com “classe”. Não sei se ainda resta alguma coisa!

 

Só porque estes três clippers foram construídos com base na técnica “composite ship”, que combina a construção em madeira com uma estrutura em ferro – o que está bem patente na fotografia dos restos do “Ambassador” – é que os mesmos ainda existem nos nossos dias.

 

Mas, apesar da estrutura em ferro dos “composite ship” – tal como o “Cutty Sark” – isso não quer dizer que os mesmos sejam eternos e que não sofram de “maleitas”. É o caso do “Cutty “Sark” que ao longo dos tempos se veio a degradar e que, em 1996 apresentava evidentes sinais dessa mesma degradação, evidentes nas fotografias seguintes.

 

O texto que se segue bem como as 5 fotografias, é uma adaptação abreviada do “paper” publicado pela “HANSA – Historic Naval Ships Association” da autoria do chefe de projeto Wyn Davies, Senior Consultant, Frazer-Nash Consultancy Ltd., Bristol, UK em 1997.

 

 

As várias manutenções e reconstruções do “Cutty Sark” ao longo dos tempos foram executadas nas obras mortas (acima da linha de flutuação), visíveis, tais como mastros, vergas, aparelho, etc., que se apresentavam em condições suficientes. O problema residia mais nas obras vivas (abaixo da linha de flutuação) submersas, que embora havendo consciência do seu estado, apresentavam maior dificuldade na deteção do mesmo e na sua recuperação.

 

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1 - Um exemplo de uma caverna de ferro no fundo do porão que apresentava evidentes danos causados pela corrosão. Toda a estrutura de ferro do “Cutty Sark” apresentava em maior ou menor grau, evidências de corrosão, (pedaços a menos, descamação da ferrugem).

 

 

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2 - Um outro exemplo de descamação da ferrugem.

 

Embora o ferro forjado tenha sido substituído pelo aço na construção dos “composite ships” na Inglaterra logo que este ficou no mercado com preços acessíveis, nos navios “HMS Gannet”, “City of Adelaide” e “Cutty Sark”, foi usado o ferro forjado.

 

Um outro problema prende-se com a natureza dos materiais usados no casco. O casco foi forrado em latão (Muntz metal) – o cobre era um material muito caro – e as pranchas do casco foram aparafusadas à estrutura com parafusos também de latão. A combinação perfeita para a corrosão eletrolítica quando molhada, o que era o caso.

 

A madeira usada no “Cutty Sark” foi, de uma forma geral, a teca acima da linha de água e o olmo abaixo desta. No caso do “Cutty Sark” que se encontrava em doca seca, teria de se ter em conta que normalmente o olmo não se conserva muito tempo em seco. Nas condições existentes – eletrólise – a madeira tem a tendência a amolecer ao ponto de ser facilmente penetrada com a ponta de um canivete.

 

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3 - O casco do “Cutty Sark” apresentava depressões causadas pelos suportes do mesmo.

 

Infelizmente também, a grande impermeabilização do casco do “Cutty Sark” fez com que, em doca seca, a água da chuva se acumulasse na zona da quilha e da falsa-quilha, o que veio reativar os cloretos que se encontravam impregnados nestas duas peças do navio.

 

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4 - Uma vista da quilha no pedestal de cimento, onde se vêm as lacunas no revestimento da mesma.

 

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5 - A quilha e a falsa-quilha despois de secas

 

Com base no relatório elaborado pela equipa de Wyn Davies foi iniciado um extenso projeto de conservação e reconversão do espaço museológico para ultrapassar os problemas existentes. Os trabalhos de recuperação do “Cutty Sark” começaram em  2006 e o navio foi desprovido da maioria das obras acima do convés (Instalações, Mastros, Enxarcia, etc.), que foram armazenadas noutro local.

 

O projeto previa, entre várias coisas, a cobertura com uma estrutura em vidro da área ocupada pelo navio, a partir de linha de água, abrangendo também a área da doca seca, bem como um novo sistema de suporte para o navio, mais equilibrado em termos de distribuição do peso por ponto de apoio que o suspendia totalmente, eliminando o contacto da quilha com o chão.

 

CuttySark_c_seele__3_.jpgA cobertura do “Cutty Sark” prevista no projeto

 

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O sistema de suspensão do “Cutty Sark” que o punha a “flutuar” no ar.

 

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16 de Maio de 2007 – O estaleiro de restauro do “Cutty Sark” em Greenwich uma semana antes do incêndio. Muitas das estruturas acima do convés já tinham sido desmanteladas e retiradas do navio.

 

 

(continua)

 

Um abraço e ...

Bons Ventos